Reconhece a voz d’Aquele que te chama pelo nome

[Leitura] Act 2, 36-41; Jo 20, 11-18

[Meditação] É extraordinário como o discurso de Pedro leva à conversão daqueles três mil judeus que pedem o Batismo. Certamente esta eficácia apostólica vem quer da força dos acontecimentos relatados por ele, inspirado pelo Espírito do Pentecostes (que se define como Palavra de Deus), quer da eloquência do seu testemunho de homem provado no amor d’Aquele que o chama “Pedro” e lhe pergunta “Tu amas-Me?”.

O episódio que nos narra, hoje, uma experiência do Ressuscitado ajuda-nos a ver no caso de Maria a importância de não vivermos a fé na Ressurreição de Jesus guardando uma recordação de Jesus Cristo morto, como se O quiséssemos possuir e fazer d’Ele o que quiséssemos. O evangelho de hoje revela-nos um dos paradoxos da Ressurreição: não importa tanto possuirmos Cristo como o deixarmo-nos alcançar por Ele, reconhecendo a Sua voz a chamar-nos na comunidade dos crentes e nas emergências sociais onde Ele nos chama a dar um testemunho como o do Apóstolo Pedro.

Neste sentido, conforme depreendemos daquilo que Jesus pede a Maria, não faz sentido uma vida cristã tout court (sem mais). Ela tem de ter um seguimento nalguma aplicação prática, seja ela na opção de resposta a uma vocação específica ou na participação de um voluntariado qualquer que a torne patente em favor do bem de alguém. “Não deter o Senhor que quer subir para o Pai”, quer dizer: fazer a elaboração do luto no sentido de deixar que a forma de relação seja outra. Deve ser este o sentido de aprender a ser discípulos missionários: discípulos, na aprendizagem de Quem Ele é e do que Ele faz(ia); missionários, levando-O onde Ele nos indicar através de outras roupagens, mediante as necessidades que encontramos no caminho até àquele último horizonte que é o encontro com o Pai.

[Oração] Sal 32 (33)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo