Publicado em Lectio Humana-Divina

Perdoar bem = Jesus x Pedro

[Leitura] Dan 3, 25. 34-43; Mt 18, 21-35

[Meditação] Na “conta” do serviço do perdão, Pedro vale “sete” e Jesus vale o superlativo “setenta”. Jesus não faz a conta sozinho, porque quer valorizar, também, a parcela de Pedro. Une-Se a ele na multiplicação, para que, juntos, inaugurem o bom serviço do perdão, que deriva da conta “setenta vezes sete”. Acontece aqui como na multiplicação dos pães e dos peixes, ou seja, fez o milagre não sem “precisar” do pouco que um rapazito tinha consigo. Assim, Jesus ajuda Pedro a passar da multiplicação dos pães para o bem-estar físico à multiplicação do perdão para a saúde espiritual.

Este milagre põe as “vísceras”  em ebulição de outra maneira: o que poderia dar na “implosão” do egoísta “sete”, transforma-se, com o auxílio dos “setenta”, na explosão do generoso “sempre” e “de todo o coração”. Este coração pode comparar-se à fornalha ardente que, sem a oração confiante a Deus, pode matar. Com a compaixão, não mata, mas espalha um amor que arde para a vida eterna, através de uma fé incandescente.

Eis porque uma piedade desincarnada e antipática não vale muito e, inclusive, pode matar. Jesus foi perentório em afirmar que o rito não adianta muito se algum irmão tiver alguma coisa contra nós (cf. Mt 5, 23-24). Quantos atos penitenciais não serão meras “cantigas de embalar” dentro de uma liturgia que não multiplica, na vida, gestos de perdão compadecido com a miséria humana? Deixemos o Pai multiplicar a compaixão de Jesus com os nossos sofrimentos e isso dará uma abundante conta de perdão partilhado para a felicidade dos que têm “fome e sede de justiça” (Mt 5, 6).

[Oração] Sal 24 (25)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu