A mania do cumprimento infiel

[Leitura] 1 Reis 8, 22-23. 27-30; Mc 7, 1-13

[Meditação] Ainda hoje os crentes podem correr o risco de fazerem um cumprimento da religião “à la carte” que, por fugir frequentemente aos mandamentos de Deus, acaba por Lhe ser infiel. Salomão deu conta rápido que Deus não podia caber no templo físico que preparou para Ele, mas o seu povo cabia, certamente, para O invocar. Nada mal! O problema é o da subversão que Jesus encontrou no seu tempo por os judeus se terem prendido às tradições em que ancoraram a sua segurança, em vez de cumprir a vontade de Deus que é um amor dinâmico e inesgotável.

Também hoje, nas nossas comunidades, podemos correr o risco de uma religião subversiva: rezamos com os lábios na igreja domingueira, mas o coração não se dinamiza na vontade quotidiana. Por vezes, também se verifica que há mais alegria pelo protagonismo dentro dos templos do que em praticar as obras de misericórdia fora deles. De onde esperamos a consolação: da unidade entre o professar e o testemunhar ou do estreito cumprimento de algumas tradições?

É, por isso, bom que na Liturgia se alterem algumas rúbricas, para que, com o “bisturi” da graça se provoque o crer interior em favor de alguma mudança na vontade exterior. Um exemplo desta necessidade é a recente proposta que o Papa Francisco fez de que o lava-pés da próxima Missa da Ceia não seja discriminatório, na idade e no sexo daquelas e daqueles que podem ser convidado a representar os apóstolos de Jesus. Até neste caso, há comunidades que já se adiantaram, com a inspiração do Espírito de Cristo, na desobediência à lei.

[Oração] Sal 83 (84)

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