Ser ponte é (deixar-se) realizar em a(l)titude!

[Leitura] Is 6, 1-2a. 3-8; 1 Cor 15, 1-11; Ev Lc 5, 1-11

[Meditação] Olhemos para as pontes: estabelecem comunicação entre dois pontos separados por um curso de água ou por uma depressão de terreno; para isso, precisam de ser uma construção sólida, entre pilares e tabuleiros que se sustentam e equilibram mutuamente, para serem instrumentos de ligação entre pontos de partida e pontos de chegada. Ser ponte é atributo que também serve para pessoas, denotando a ação de ser intermediário entre a realidade que se vive e o horizonte para onde se quer ou se é chamado a ir. Por isso, proponho que o título deste “post” seja lido complementarmente com e sem o que está em parêntesis.

Nas leituras deste V Domingo do Tempo Comum, contemplamos três histórias em que o convite à conversão coincide com o chamamento a ser profeta, apóstolo ou discípulo. E todos os percursos, apesar de terem acontecido em épocas diferentes, escondem a mesma pedagogia misericordiosa de Deus que, ao mesmo tempo, compromete quem tem a ousadia de não arredar pé, permanecendo diante da Luz que purifica e ilumina ao mesmo tempo. Para nós, hoje, podem  constituir histórias-paradigma que, à maneira de espelho, nos ajudam a ler e a programar as nossas histórias pessoais de chamados a ser discípulos missionários.

Isaías, Paulo e Pedro também se reconheceram impuros e pecadores diante da manifestação da glória divina em Deus e em Jesus. Se colocarmos os textos em paralelo, damos conta deste percurso: 1.º a contemplação da glória divina; 2.º o reconhecimento do pecado humano; 3.º a purificação ou cura do que contempla humildemente; 4.º  a resposta a um chamamento. Neste percurso  manifesta-se, também, com clareza que as escusas ou argumentos do homem impuro para fugir ao chamamento de Deus não chegam diante do seu poder salvífico. Para quem ousa humildemente contemplar o horizonte da glória, Deus faz irromper pilares fortes desde a miséria humana para que se alteie a resposta ao seu chamamento, ao mesmo tempo declaração de uma missão concreta que realiza a pessoa chamada e os seus destinatários.

Por último, o evangelho esconde, ainda, a verdade de que o Mestre vai ao encontro dos homens no quotidiano, convidando-os a lançar as redes para um trabalho solidário que enche a vida de todos. Da mesma forma, os cristãos não podem enclausurar a sua escuta e resposta de fé na celebração do Domingo, mas, partindo desta margem, construir pontes com os outros nos ambientes e relações do quotidiano, baixando aos abismos com a atitude de quem quer participar e partilhar a altitude. Depois da vida estar desimpedida da impureza que estanca o ânimo, o caminho está pela frente à espera de seguimento que concretize a missão de Jesus: partilhar a alegria do encontro pessoal com Jesus aos outros. Foi assim que os apóstolos não tiveram medo em deixar tudo…

[Oração] Sal 137 (138)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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