A salvação está nos arredores do controle humano

[Leitura] 2 Sam 24, 2. 8b-17; Mc 6, 1-6

[Meditação] Querer controlar tudo é um dos defeitos do ser humano, seja ele agente social ou até pastoral, como se a salvação fosse uma tarefa primordialmente sua. Desde a infância que sofremos da síndrome da omnipotência. Assim, em qualquer atividade que façamos, pomos toda a confiança em listas de participação e iniciamos notícias com um número extrapolado de participantes, como se isso valesse mais que tudo.

Cada vez mais, hoje, se fazem estatísticas e recenseamentos. Do ponto de vista sociológico, inclusivamente, da religião, não é mau. No entanto, pergunte-se: o que se faz com eles, para além do apuramento da realidade? E que realidade? Não se corre, por vezes, o mesmo risco que David? Sabemos que as suas motivações não foram as melhores e sofreu as consequências que vimos na primeira leitura.

Na verdade, antes de querermos ter uma perceção o mais apurada possível da realidade para podermos ser bons agentes, requer-se partir do pressuposto que também é horizonte do nosso ser e do nosso agir: Deus! E, como se costuma dizer, nem todos os fins justificam os meios. Na verdade, na esfera da fé, nem sempre estamos isentos de fugir do essencial abandono aos desígnios de Deus, dando espaço à confiança contra todo o tipo de calculismo. Com efeito, o ato de fazer estatística pode ser uma obsessão de controlo sobre tudo e todos, não deixando espaço à lógica de Deus que é, muitas vezes, insondável e que, não obstante o véu que a esconde, nunca deixa de ser salvífica. Há, portanto, que remeter o método do número e da contagem para o campo do meramente acessório, em relação à importância da pessoa. No episódio da Sinagoga, Jesus faz a alusão ao profeta Elias que é enviado somente à viúva de Sarepta e o Eliseu enviado a curar Naamã. Ele próprio disse diversas vezes que veio para salvar os pecadores (de quem não se faz ou deve fazer estatística) e que deixaria as 99 ovelhas para ir à procura de uma só.

[Oração] Sal 31 (32)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo