Publicado em Lectio Humana-Divina

Um Círio de carne com a chama do Espírito do Templo para os nossos temp(l)os

[Leitura] Mal 3, 1-4; Hebr 2, 14-18; Lc 2, 22-40

[Meditação] Nunca como neste dia Simão terá tido uma apresentação de um primogénito como este Menino que é a luz das nações. Esta é a Apresentação das apresentações, o Templo a manifestar-Se ao templo, uma vez que Maria e José seguiram a Lei mosaica, solidarizando-se com o que os outros progenitores seus contemporâneos faziam. No entanto, nenhum outro primogénito tinha satisfeito completamente Simeão na sua sede de luz.  Também ele foi ao templo movido pelo Espírito Santo. De facto, a descrição deste episódio dá-nos a impressão de que este Menino que a Família de Nazaré transporta nos seus braços é um Círio aceso que irradia o Espírito, a pontos de atrair e iluminar quem está à sua volta.

Ao ir ao templo, esta Luz é como que posta no “candelabro” dos braços de Simeão. E se esta Festa se relaciona com o Tempo de Natal (celebrada após quarenta dias), a reação de Simeão não esconde, também, a sua referência ao caminho pascal que se aproxima: tempo em que a Palavra é proposta como “espada” para que se revelem os pensamentos de todos os corações. Sem esta Luz, não é possível fazer este caminho, dado o fácil risco de nos perdermos em desvios tradicionalistas ou de uma vivência meramente social do Páscoa.

Com a proximidade desta Luz, aos nossos olhos é-nos permitido ver o templo como o espaço multiforme de convergência que se reflete, hoje, nas nossas comunidades: Maria e José com Jesus ao colo (a família no cumprimento do seu dever, que vai e que regressa); Simeão que vai ao templo pela última vez movido pelo Espírito (como os sacerdotes, ao serviço de quem lá vai); Ana que, uma vez viúva e agora inteiramente/permanentemente consagrada ao Senhor, não se afasta do templo (imagem da vida consagrada, tão necessária, hoje, como clarão que ilumina o templo e permite que outros o vejam de longe).

Este Círio humano-divino é ambulante, não se encerra numa casa só. Não O deveríamos trespassar de casa em casa, como se fosse uma daqueles pequenos nichos de Nossa Senhora? Ou de pessoa para pessoa, através de um sorriso, um conselho inspirado no Evangelho… enfim, apresentarmo-nos, também, como Ele diante dos outros, ao menos, como reflexo do Evangelho que ilumina a escuridão do mundo?

[Oração] Sal 23 (24)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu