Um “golias” chamado pecado e uma ovelhinha chamada santidade

[Leitura] 2 Sam 12, 1-7a. 10-17; Mc 4, 35-41

[Meditação] O franzino e bem aparentado David fundou a sua caminhada com a confiança de que poderia derrotar o Golias, uma vez que a abundância física deste lhe poderia pôr medo. No entanto, a mão de Deus estava com ele. Não tinha nada a temer. A aparente grandeza de Golias pode servir, hoje, de metáfora àquela abundância perecível que serve de máscara à tentação que leva ao pecado. Já a ovelhinha que Natã evoca para transmitir ao rei a repreensão de Deus simboliza a simplicidade e a pequenez de que outrora ele foi portador, tesouro escondido do qual Deus continuaria a querer servir-Se para levar avante do seu projeto com David.

O pecado, que parece viver da abundância, tanto da tentação de prazer como do medo da ameaça, acaba por interferir nas várias dimensões da vida e nas diversas relações de quem o comete. Lembremo-nos que David conseguiu, quando jovem, não dar ouvidos a Saul que quase o ia levando a desistir da luta vitoriosa com Golias. A santidade, que vive da simplicidade, depende do cuidado ou saúde nas relações e nas dimensões que o pecado teima em destruir com as suas pretensões maliciosas.

Não era à toa que Jesus convidava não raras vezes os seus discípulos para remarem para a outra margem do lago. Talvez para lhes provocar no espírito à maneira do que os treinos do Mister Miyagi procurava provocar no físico do Daniel San no The Karate Kid. E quando cuidar da santidade não é fácil e até inclui o abanar da barca na tempestade, requer-se arrependimento pela queda e falta de confiança n’Aquele que tem poder sobre as forças da nossa natureza, aquelas que, por não sabermos domesticar totalmente, somos convidados a respeitar.

[Oração]  Sal 50 (51)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo