Durmamos com(o) a semente e (acor)dêmo-nos para a colheita, que o entretanto fará Deus

[Leitura] 2 Sam 11, 1-4a. 5-10a. 13-17; Mc 4, 26-34

[Meditação] Quem percebe de sonhos ou pesadelos de quando estamos a dormir, sabe que o nosso cérebro “inconsciente” não descansa, estando ocupado a “digerir a salada de frutas” dos sentimentos e emoções provocadas por aquilo que aconteceu durante o dia. E conforme este processo passa despercebido ao nosso “eu” consciente, também muitos processos noturnos, como o germinar de uma semente debaixo da terra, a pequenez do grão de mostarda que dá na grandeza da maior planta da horta, e a pequenez dos simples capazes de entender uma parábola que contém em si a grandeza do Reino.

Deus tentou, também, semear a sua grandeza na pequenez de David. No entanto, este não se quis “deitar” confiante com essa semente promissora de uma grande descendência. Em vez disso, apoderou-se da felicidade colhida por outrem, ceifando prematuramente o seu futuro. É isto que acontece quando os seres humanos têm a pretensão de controlar tudo − acontece a morte de algo ou de alguém −, esquecendo-se que para além da colaboração que Deus lhes pede, é preciso que, entretanto, confiem quanto ao que eles não são capazes de fazer. Apesar de tudo, Deus não deixou de fazer nascer um rebento justo da sua família. Porque o projeto de salvação não dependia inteira nem definitivamente dele.

De facto, há um surto de omnipotência dos que se querem impor ao início, ao desenvolvimento e ao florescer de tudo o que é vida, partindo do pressuposto que Deus está ausente. A experiência de pequenez diante do desconhecido, alguma sonolência ou provocada por um trabalho aparentemente infecundo e a espera longa que vê diminuir o entusiasmo pelo esforço feito nunca conseguirão “desmineralizar” o Reino dos “sais” que constituem a vitalidade contida no “adubo” da Palavra que o faz crescer na lógica do divino agricultor. Pois é deste “adubo” especial que precisamos para não ficarmos mesquinhos, quer quanto ao que Deus é capaz de fazer “durante o nosso sono”, quer quanto ao que somos capazes de fazer de dia com o auxílio do Seu poder.

[Oração] Sal 50 (51)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo