Publicado em Lectio Humana-Divina

Uma casa é relação que se deixa semear e que se cuida integralmente

[Leitura] 2 Sam 7, 4-17; Mc 4, 1-20; LAUDATO SI’

[Meditação] Escutamos, hoje, a parábola do semeador que parece ser, como indica o próprio Jesus, uma parábola matriz (“Se não compreendeis esta parábola, como haveis de compreender as outras?”). Neste discurso do Mestre, damos conta que a semente do semeador divino é de igual qualidade e é PARA TODOS, pois ele a lança em todos os terrenos. Estes, sim, é que são diferentes. São boas, por isso, iniciativas como o lançamento gratuito do Evangelho de Lucas, que é o Evangelho da Misericórdia, com a capa que tem inscrito o lema do Jubileu da Misericórdia “Misericordiosos como o Pai” (Edição da Diocese de Santarém, com a inclusão de 12 salmos propostos para acompanhar a leitura orante da Palavra).

Por vezes, ao lermos a parábola, ficamos com a sensação que Deus nos deixa sozinhos entre a semente lançada e o terreno − asfaltado, pedregoso, espinhoso e fértil − em que, porventura, estejamos, de modo a ficarmos convencidos que o pior ficou para nós fazermos. Alguns diriam: “lançar a semente é fácil!”. Será? Será fácil anunciar a Palavra nas ruas? O inimigo viaja nelas. Será fácil indicar a Palavra como remédio contra as fragilidades que geram a inconstância? Dá-se mais ouvidos aos perseguidores. Será fácil exortar com a Palavra aos empreendedores? Os prazeres e ambições do mundo falam mais alto. Será fácil cuidar da Palavra dentro de casa sem a levarmos às ruas, aos maus caminhos, aos frágeis? A maioria das Bíblias costumam “fazer sala”, enfeitando as casas.

Na sua recente Encíclica “Laudato Si‘” o Papa Francisco chama a atenção para a mensagem de cada criatura na harmonia de toda a criação, onde o sr humano se vê como imagem de Deus e que toda a criatura tem uma função e não é supérflua. Na primeira leitura de hoje, o Senhor Deus manda dizer a David por Natã que não é ele que Lhe deve construir um palácio. Deus é que Se propõe construir-lhe uma casa segura. O que Ele lhe pede é que cuide dela. É o que Deus quer que todos façamos desta casa comum, a Terra, através de uma ecologia integral, que cuide de todos os terrenos, sem fugirmos de uns para os outros. Francisco, na Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro (2013) disse, também, aos jovens que não se ficassem a lamentar das fraquezas e tribulações em que se encontrem. Convidou-os a dedicar um canteiro onde deixem o Senhor semear a sua Palavra. E exortou a que não se regue o joio em vez da boa semente. Ele está em todos os terrenos e é Ele faz crescer, como garante Paulo: «nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas só Deus, que faz crescer» (1Cor 3, 7).

É louvável que em todos os “canteiros” das comunidades − famílias, paróquias, grupos de jovens, unidades pastorais, movimentos, etc. − se proporcione um contacto substancioso com a Palavra, proporcionando um trabalho simbólico de cuidado para com a terra interior e exterior, que acontece com a leitura orante da Bíblia. Há tantas iniciativas boas como a Lectio Divina, os Grupos Bíblicos, as Oficinas de Oração, etc. que na Igreja se deixou cair no “terreno da inconstância” por causa dos cuidados deste mundo… Restaurem-se estas e encontrem-se iniciativas novas que levem a Palavra para fora da Liturgia. Nesta, seria um “Aleluia!”, enquanto no caminho… seria uma semente a ser acolhida, a crescer e a multiplicar-se… “trinta, sessenta ou cem por um”.

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Autor:

Padre da Diocese de Viseu