Publicado em Lectio Humana-Divina

A comunhão que faz crescer pessoas e comunidades

[Leitura] 1 Jo 4, 11-18; Mc 6, 45-52

[Meditação] A Palavra de Deus tem razão, porque espelha na vida humana o que é de Deus Criador, incluindo a medicina divina que nos salva. Esta cura depende do encontro ou relação, mais do que da mera escuta (embora também desta dependa a fé!). O acontecimento da multiplicação dos pães teve uma sequência curiosa: «Jesus obrigou os discípulos a subirem para o barco e a seguirem antes d’Ele para a outra margem». A ciência do desenvolvimento humano, psicologia e mistério explica-nos que o crescimento de uma pessoa (e porque não de um grupo de pessoas crentes) acontece mediante a conjugação de três fatores essenciais de relação: presença, ausência e estádios. A multiplicação dos pães, por si só, é uma prefiguração, mas pode não ser a realidade da comunhão que faz crescer (cinco mil homens não são uma comunidade!!).

Então, qual é a comunhão que faz crescer? Será a comunhão efetiva e afetiva, aquela em que as pessoas e comunidades não precisam de estar permanente presas aos seus e ao padre, respetivamente. O crescimento faz-se por momentos significativos de presença, mas, como Jesus também fez com os que estava a formar, também são precisos momentos de ausência para que se possa avançar para uma etapa mais madura. Estar todos juntos e sempre não ajuda a crescer ninguém nem nenhuma comunidade. Por isso, como adverte o Papa Francisco, é preciso correr o risco de sair para não ficarmos doentes.

As tempestades também fazem crescer, em todas as dimensões, incluindo a fé. Ter dúvidas sobre a verdadeira imagem de Jesus Cristo também faz parte, para podermos purificar a nossa relação das falsas expetativas. A liturgia deste dia seis propõe, assim, uma aproximação à Páscoa que implica dar um salto qualidade que, muitas vezes, só é possível dar com as próprias forças, sabendo que Deus nos assiste desde a sua providência amorosa.

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Autor:

Padre da Diocese de Viseu