A profecia de Ana é uma doxologia!

[Leitura] 1 Jo 2, 12-17; Lc 2, 36-40

[Meditação] “Doxologia” é um breve hino de glorificação ou de louvor a  Deus pelas maravilhas que Ele operou. Habitualmente, fazemos também “doxologia” quando dizemos o “Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo…” e, na Eucaristia, quando escutamos e respondemos “Ámen” ao “Por Cristo, com Cristo, em Cristo…”. O que significam estas orações? Têm alguma coisa a ver com a profecia de Ana?

Habitualmente (e infelizmente) desvalorizamos estas pequenas orações de louvor à divindade, porque, talvez, lhe demos indiferentemente o nome desmodado de “jaculatórias” e que, por serem muito breves, termos o receio de que Deus as desvaloriza em relação a longas prédicas. Como estamos errados…? Ana passou todos aqueles anos depois do tempo de donzela no Templo, a orar e a jejuar, e só na ocasião em que contemplou o Menino Deus é que percebeu a importância de tudo o que viveu para trás, em favor de uma compreensão melhor dos dias que Deus lhe permitiu viver para a frente.

Para quem participa na Eucaristia, chegar ao cume da mesma em que o Sacerdote proclama “Por Cristo, com Cristo, em Cristo…” é participar na síntese de glorificação que resume tudo − a Palavra dada, refletida, a história pessoal e comunitária, o projeto de Deus posto em ato no tecido (ma)duro da vida, etc. −, refrão que podemos cantar como corolário descritivo da história do Deus-connosco. Para quê dizer de outra maneira, se no final, quando se acende a lucidez da fé, damos conta que ali vamos parar: “Por Cristo…”. E o mesmo acontece com o “Glória ao Pai…”, dito no final de cada salmo da Liturgia das Horas, ou no interstício dos momentos diversos do dia.

Professar uma doxologia é assinar um cheque em branco a Deus, concordar com uma conclusão sem, mesmo, compreender todo o corpo de um trabalho e sem ter estado na introdução do mesmo. É participar na glória de Deus, sem ter o mérito da sua origem, sabendo, porém, que Deus sempre esteve lá em tudo e em todos os momentos, à espera de Se revelar como Luz clara aos nossos olhos. Ir rezando doxologias é verificar se a âncora está permanentemente ancorada em Deus, enquanto o barquito do nosso coração se vai desapegando do mar inóspito do mundo.

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