Publicado em Lectio Humana-Divina

Corações reconduzidos por um nome novo

[Leitura] Mal 3, 1-4. 23-24; Lc 1, 57-66

[Meditação] Chegou o momento de Isabel dar à luz o filho a provar que Deus a livrou da sua desonra.  Ela e Zacarias (talvez por este ainda estar mudo!) não discutem sobre o nome a dar ao rapaz, contrariamente ao que sugeriam os de fora. Estes perguntavam sobre quem iria a ser este menino, mas os seus pais sabiam que «a mão do Senhor estava com ele». Por isso, Isabel e Zacarias fizeram dele uma oblação segundo a justiça de Deus, dando-lhe o nome que condiz com a missão que por Ele lhe estava reservada: preparar o caminho do Senhor, reconduzindo os corações a Ele.

Hoje em dia, a escolha de nomes que os pais fazem para os seus filhos não está muito longe da tendência dos contemporâneos de Isabel e Zacarias. Há exceções, mas são raras. Na verdade, na cultura bíblica, o nome colocado pelos pais, inspirados por Deus, continha já a missão. Por aqui ou por ali, vê-se um caso ou outro em que cônjuges tiveram um filho com muito custo e, percebendo a bênção de uma nova criança, consagraram-na a Deus com o chamamento de um nome especial que se veio a verificar condizer com a sua vocação.

Na verdade, a justiça de Deus é a graça da sua misericórdia (significado aproximado do nome “João”). Por isso, buscar a Deus e a sua proteção implica acolher d’Ele a grandeza do seu projeto de salvação contido também no desígnio de amor para cada pessoa. Quantas vezes os pais não terão levado os seus filhos ao Batismo, sem terem presente o ato de consagração ao Senhor, para o que desse e viesse no que toca ao mistério da vocação? Quantos preconceitos, no que toca à pressuposta vontade dos pais quanto à vocação dos filhos, sem dar a Deus o direito de Se manifestar? Quantas vocações disconformes com a escolha de um nome? Houve tempos em que, na Vida Consagrada, celebrar os votos perpétuos implicava a escolha de um nome novo. Não se está com esta reflexão a propor-se meramente isso, mas, somente, a sugerir-se que muito do que uma criança pode vir a ser depende mais da novidade do amor poderoso que Deus reserva para ela, do que daquilo que os seus pais possam fazer, muito para além dos cuidados básicos e de afeto que lhe possam proporcionar.

[Oração] Em: Novena de Natal 2015

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu