Conforme se dança assim se toca. Ou será o contrário?!

[Leitura] Is 48, 17-19; Mt 11, 16-19

[Meditação] Hoje, o Evangelho é um convite a olharmos para as nossas praças. Nas do seu tempo, Jesus contemplava crianças ocupadas obstinadamente com as atividades infantis, onde podemos ver uma metáfora para os dirigentes que, maioritariamente, ocupavam aquelas praças, insensíveis para a dor dos doentes e pobres e arrogantes para com a alegria dos pecadores arrependidos e perdoados.

Como serão as praças do nosso tempo, nas cidades e encruzilhadas entre freguesias e paróquias de hoje? Diante da constatação, hoje tão frequentemente verbalizada, de que a sociedade está a influenciar mais as comunidades dos crentes do que vice-versa, não será que a dança está a acontecer sem a consciência de um ritmo e harmonia musicais precisos de um estilo que prometa a verdadeira felicidade, à maneira da “flauta mágia” de Mozart?

As nossas cidades, mesmo antes de o Advento litúrgico começar, já nos meteram as luzes brilhantes pelos olhos adentro, como que a dizer: vem-te divertir e consumir neste “Natal”. E não faltam filas de carros… Não admira que esta festa acabe imediatamente a seguir à data prevista (quando não ainda antes), uma vez que os objetivos economicistas já estarão alcançados. Não será que se deveria preparar melhor o que deveria começar no dia 25 de dezembro, com o que este dia significa, e com a força, em nós, d’Aquele de quem depende o nascimento de qualquer coisa de bom? Nas praças de hoje, como nas de ontem, ao tom de muitos estilos de música difusos e confusos, há natal sem Advento, sorrisos distantes sem abraços, bacalhau na mesa sem ter com quem o comer, luz exterior sem perceção profunda do sentido da vida. As tradições não fazem sentido, quando este não se faz sentir por dentro, mas só se sugere por fora.

O profeta traz-nos a voz de Deus que declara: «eu te ensino o que é para teu bem e te conduzo pelo caminho que deves seguir». No que toca à felicidade e à sua fonte verdadeira, esta vem primeiro; não será que a música boa não terá de inspirar a dança? É que “dançar” sem música e sem um impulso interior que leve a dançar não mete graça, assim como viver o Natal sem o essencial também nos fará cair na experiência noiosa de termos que esperar da réplica do ano que vem para nos voltarmos a sentir outra vez na onda que se espraia, mal acabe a sua força.

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