Publicado em Lectio Humana-Divina

Traçar uma linha reta para o encontro

C Advento II[Leitura] Bar 5, 1-9; Sl 125(126); Filip 1, 4-6. 8-11; Lc 3, 1-6

[Meditação] O 2º domingo do Advento traz-nos um convite a vivermos uma esperança jubilosa, porque o Senhor Deus fez pelo seu povo grandes maravilhas (Sl 125). O intuito da profecia de Baruc é fazer-nos perceber que o Deus de Israel tomou a iniciativa de visitar o seu povo na história, traçando um caminho reto com palavras e gestos portadores de esperança, capaz de transformar a realidade, apesar dos obstáculos.

O deserto é o lugar sugerido por Lucas, espaço de liberdade que João Batista habitou para nos demonstrar que o tal caminho reto é feito de renúncias e de escolhas inspiradas pela Palavra de Deus. Ver a salvação de Deus implica “endireitar os caminhos torutosos” da vergonha e do medo e “aplanar as veredas escarpadas” da avareza e da arrogância.

O Apóstolo Paulo escreve-nos com “tinta de sangue” para nos dizer que, embora Deus nos tome a dianteira no amor que salva, nós não podemos ficar inertes na irresponsabilidade, à maneira do que sucede com muitos jovens de hoje a quem os pais pouparam de trabalhos duros. É necessário “tomar a parte” que cabe a cada um na causa do Evangelho, conscientes de que nem sequer será a maior parte da luta, mas significativa, para que possamos ser suficientemente gratos pelas maravilhas que Deus operou na nossa história. Para isso, requer-se um trabalho contínuo de ciência e discernimento para que a caridade (muitas vezes adormecida em nós) “cresça cada vez mais”.

Para uma vivência mais dinâmica desta semana, pensei em sugerir duas imagens, parte do contexto da construção civil: o pêndulo e o giz de linha. Aquele significa que somos convidados a “pesar” o amor de Deus na nossa vida, muitas vezes esquecido por nós. Perguntemos: o que é que Deus já operou na minha vida, de forma a eu me dever sentir agradecido? O giz de linha é utilizado para marcar linhas retas, para que as obras não saiam  tortas. Implica a pergunta: que linha traçar para que o meu encontro com o Senhor nos irmãos seja sincero e compassivo?

Passemos a semana a avaliar o amor com que fazemos as coisas e, em vez de passar mos todo o tempo a pedir a Deus coisas, rezemos mais através da oração de agradecimento pelas maravilhas que Ele operou.

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Autor:

Padre da Diocese de Viseu