Patras e o sinal pelo qual vale a pena largar as redes

[Leitura] Rom 10, 9-18; Mt 4, 18-22

[Meditação] Se lermos bem a Carta de Paulo nesta Festa de Santo André, damos conta de que não é preciso fazer mundos e fundos para ser salvo: basta invocar Jesus como o Senhor e afirmar que Deus O ressuscitou dos mortos. Deste modo, são muitos, independentemente das línguas e das raças, os que podem demonstrá-lo sem obedecerem a leis rígidas. Aliás, estas nunca foram causa de grande evangelização, nem mesmo caminho para o martírio. Se fosse assim, todos quereriam, por tradição, ser crucificados como o Senhor. E não foi assim, com os seus mais fiéis seguidores… Portanto, o sinal pelo qual vale a pena largar as redes não é a forma da cruz, nem a forma de morrer, nem, tão pouco, a forma de viver a fé. Não é o relicário que é importante, mas a relíquia! E esta não é forma de crucifixão, mas o amor ali demonstrado. Por vezes, as Igrejas perderam mais tempo com o continente do que com o conteúdo da fé; por isso é que advieram divisões. O ecumenismo patente na missão do Apóstolo André mostrou-nos que o mais importante a guardar e a transmitir fielmente é o conteúdo divino que se transporta, apesar de a forma ir variando de tempos a tempos.

«A sua voz ressoou por toda a terra e as suas palavras até aos confins do mundo», porque fielmente codificadas de maneira a ser desencriptadas por linguagens e canais eficientes. Hoje, como ontem, é necessário ter a coragem de se fazer a “inventariação da fé”, como fez o Papa Paulo VI em 1964, devolvendo parte das relíquias de André à comunidade de Patras. É preciso, hoje mais que nunca, ter a coragem de que as sementes do Verbo serem reconhecidas nas pessoas e nos locais onde Deus as semeou, sem andarmos com a mania de decidir quem tem mais e quem tem menos sementes, uma vez que, vindas do céu, todas (as verdadeiras) são de boa qualidade.

Quantas vezes a história da Igreja se fez de um novelo enguiçado que teve mais a ver com o que é secundário do que com o que é primário na evangelização. Com o Advento, estamos convidados, todos, a desenguiçar este novelo, naquilo que toca a nós, reconhecendo novamente que Jesus nasceu e quer aparecer, de novo, para TODOS. A salvação, não sendo uma questão de individualismo, começou por ser feita por binas, até chegar a ser uma questão de comunidades. Oxalá venha, expressivamente, a ser um projeto de Igrejas. Para isso, é preciso “largar as redes” e perder a vida por aquilo que vale a pena: o amor. Este é que é o verdadeiro martírio. Tudo o mais é refrigério inútil.

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