Publicado em Lectio Humana-Divina

O Cego de Jericó Parte II

[Leitura] 2 Mac 6, 18-31; Lc 19, 1-10

[Meditação] À primeira vista, por causa do bem aparente muito bem cuidado nas nossas comunidades, podemos ter a impressão de se ter esgotado a nossa missão direta em favor dos que andam tresmalhados. Ou eles se aproximam de nós para pedir auxílio espiritual ou sacramental ou népias! O Evangelho mostra-nos Jesus a passar e a observar. Hoje-em-dia, perigamos em corrermos muito de uma tarefa para outra, mas paramos pouco para observar os fragmentos de vida humanos para escutar, ver, diagnosticar… antes de julgar e agir. Parece haver uma pressa histórica, como se o mundo fosse acabar já amanhã e não no desse tempo de pensar nas coisas como dever ser. Deveria ser, também, por isso que Zaqueu, ao invés do cego da beira do caminho às portas de Jericó, em vez de pedir para ter em cada dia o pão da sua subsistência, roubava para obter a mais do que necessitava (não fosse um dia faltar!). O do caminho e este Zaqueu são ambos cegos, mas de causas e dramas diferentes. Mas o grito é o mesmo: sede de uma verdadeira felicidade, a de ver e seguir Jesus, a maior riqueza que, enfim, se pode obter e conservar para a vida eterna. Por isso, desde o seu íntimo, Zaqueu procurava ver Jesus e o seu “grito” silencioso foi observado, apesar da pequena estatura do pecador. Neste ano santo da misericórdia, onde haveremos de colocar os sinais da Reconciliação para que os pecadores de todas as estaturas possam “cear” coabitar com o amor de Jesus? Anselm Grün, no seu livro “As bem-aventuranças, caminho para uma vida bem conseguida” assegura que nem o perigo da riqueza avarenta nos impede de no mais profundo de nós mesmos procurarmos ver Jesus. Segundo Tomáš Halík, em “Paciência com Deus”, Zaqueu é o tipo de homem que se encontra nas “franjas” da sociedade que a Igreja tem dificuldade de compreender e que estão a “gritar” por uma nova hermenêutica do paradoxo em que ele vive, para que se atue um novo estilo pastoral, em registo sapiencial. Santa Isabel da Hungria também abraçou voluntariamente a pobreza, dedicando-se ao serviço dos enfermos. Despojemo-nos…

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Autor:

Padre da Diocese de Viseu