A escuta, “boa irmã” do acolhimento

[Leitura] Jonas 3, 1-10; Lc 10, 38-42

[Meditação] Um dia, um professor de espiritualidade comentou a minha afirmação de que nota-se na pessoa quando está imbuida pela espiritualidade, com a afirmação de que o contrário também se notava! No mundo ocidental, já quase ninguém escapa ao ativismo, a não ser se se tiver a escuta da Palavra de Deus como “boa irmã” do acolhimento de Jesus nos irmãos. Sobretudo aqueles que se entregam a Ele através de uma consagração especial, correm o risco de andar tão atarefados nas lides da comunhão que podem acabar por andar em “comunhão” com as “lides”. Nota-se bem que o que fazemos não é ativismo, quando se nota também que o que fazemos não é o que escolheríamos se fosse da nossa mera vontade pessoal (embora a falta de espiritualidade também possa advir de uma agenda google exageradamente cheia de cores de calendário diversas). O que atrapalha a vida e pode cansar não são as atividades em si (é saudável estarmos ocupados!), mas o nocivo que é trabalharmos sem rumo definido. Este pode-nos ser inspirado pela vontade Deus, mais do que pela emergência, por vezes, enganosa da mentalidade contemporânea, sempre faustosa em fazer de pessoas meras máquinas de produção. Nos meandros da fé, nunca deveríamos falar de atividades, mas de serviço, pois este tem em si, como pressuposto, a marca da Palavra,  como a eficácia da missão de Jonas já estava embrionada no mandato do seu Deus. A escuta conecta à perspectiva da eficácia, mesmo antes de se fazer o que ela manda, embora só se veja depois. A eficiência apostólica vem da escuta da Palavra e não da mera ação. Quem se quiser aventurar por este mistério, nunca deixe que a atividade se entrometa entre si e a relação com Deus. É esta relação que determina a unanimidade quer a realização da missão, quer a realização da felicidade da pessoa.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo