Publicado em Lectio Humana-Divina

Gabri, Rafa e Migue, mediadores de El

[Leitura] Gn 28,12-13a; Dan 7, 9-10. 13-14; Ap 12, 7-12a; Jo 1, 47-51

[Meditação] Entre o sonho e a realidade acontece muita coisa, incluindo uma visão que o Apóstolo João teve descrevendo um combate no céu de onde, definitivamente, foi precipitado o Dragão e os seus anjos. Lá, passavam o tempo, a acusar-nos, certamente, do mal que fizemos sob sua influência. Cá em baixo, ainda não fomos totalmente vencedores, mas também ainda não nos demos por vencidos. Do céu aberto de uma vez por todas pelo Sangue do Cordeiro, Deus vem em nosso auxílio através daqueles arcanjos cuja função é mediar a ação de Deus nos nossos confrontos com o mal, seja ele físico, psicológico ou espiritual. Jesus, com as suas palavras, certifica a experiência tida por Jacob, no sonho em que viu uma escada que ia até ao céu e de onde desciam os anjos de Deus que vinham em seu auxílio. Esta experiência, de Jacob, unida à de Natanael, também nos pode ensinar alguma coisa. Das duas uma: ou os nossos sonhos (onde se incluem desejos, ambições, sentimentos, motivações, etc.) erguem uma escada para que Deus possa de lá mandar os seus arcanjos para que nos vejamos purificados de tudo o que não tem a ver com o projeto de Deus; ou não deixamos que a ação de Deus nos levante desta escravidão do mal. Se o mal não o fazemos sós (mas influenciados pelos anjos do mal), o bem também não o faremos sós. No final, só teremos que celebrar a vitória, porque esta já vigora no céu; cá na terra, seremos mais fortes com a força de Deus e dos que O servem em nós. Porquê ter uma visão hermética da realidade? Para quê fechar o que, de uma vez por todas, está aberto? O grande Mediador de Deus, o Seu Filho Unigénito, também desceu e subiu; não admira que, uma vez aberto o acesso de encontro com Deus, esse canal esteja continuamente a ser utilizado por aqueles que O servem.

Resta, nesta reflexão, sublinhar a importância de cada um de nós, seres humanos, também nos sentirmos chamados a ser mediadores; todos nós temos um nome que, na base de uma função ou tarefa em favor de alguém, termina em “El”, porque somos de Deus e enviados por Ele, por vocação, a realizar uma missão concreta neste mundo de batalhas. Para um pode ser cuidar do pai, para outra cuidar dos filhos pequeninos, para muitos será cuidar dos refugiados… que seja sempre e em tudo o que Deus sonhou para nós, sob a proteção daqueles que O servem cá na terra, como no céu.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu