A praça pública, lugar de convergência e não de supremacia

[Leitura] Zac 8, 1-8; Lc 9, 46-50

[Meditação] Sim, tem de haver alguma ordem nas praças públicas, mas não a hegemonia ou supremacia de alguém. Nota-se o tipo de praça pela ocupação que ela tem: se tem crianças, idosos e a variedade de saberes e credos manifestada pela arte ou por outras formas de expressão religiosa, trata-se de um lugar de convergência; se tem somente um certo tipo de pessoas e exclui a manifestação da variedade cultural e religiosa, dando exclusividade a um só tipo dessas manifestações, trata-se de um lugar onde se manifesta a supremacia de um poder que, antes de ser nocivo na própria praça, vem de dentro de pessoas adoentadas no seu interior. Jesus não se enganou: antes de ver a disputa dos discípulos pelo poder ou lugar do “maior”, Ele já tinha previsto a necessidade de lhes apresentar como modelo de encontro uma criança, a partir do conhecimento que tinha dos seus sentimentos íntimos. Só os inseguros interiormente disputam formas ou lugares exteriores de segurança.

Por vezes, até dentro das instituições (seja de que qualquer atividade humana for) parecem existir “patentes” que são troféus de segurança. Jesus não curou alguém para registar a “sua” patente. A patente é a do Pai a Quem Ele pedia a cura. Até a própria cura é uma convergência de fatores: é preciso o paciente, o mediador e a fonte da saúde. O mesmo se pode dizer do exorcização do mal: não é monopólio da Igreja; há muitos tipos de mediadores e formas de exorcizar o mal, sendo este uma realidade de origens e consequências complexas. Como poderia ser só um tipo de mediação de cura? Se a diferença entre um cientista maduro e não maduro está na abertura que ele tem à pluralidade de forças intervenientes do seu objeto de estudo, o mesmo se pode de todos os outros mediadores do bem. Quem dera que todas as praças públicas, hoje palcos de guerra, fossem ponto de encontro entre estes mediadores maduros! Jesus deu o exemplo em Jerusalém; quando lá voltaremos para O imitar?!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo