Desprendimento e confiança, bases da eficiência apostólica

[Leitura] Esdr 9, 5-9; Lc 9, 1-6

[Meditação] Quem já participou numa celebração do Sacramento da Ordem (de um diácono, de um presbítero ou de um bispo), reparou que, antes da Imposição das Mãos e da Oração de Ordenação, enquanto se faz a Súplica Litânica (a tradicional Ladainha dos Santos, o ordinando prostra-se por terra. Este gesto explicita a predisposição declarada no conjunto de disposições contidas na Promessa do Eleito, feita ainda antes desse gesto e respetiva súplica por parte do povo. A liturgia de hoje mostra-nos Esdras a prefigurar este gesto, manifestando diante de Deus a confiança no poder com que Ele salvou aquele “resto de sobreviventes”, apesar da vergonha e da culpa sentida quanto aos feitos passados que os levaram àquela minoria. Levantando-se da prostração, Esdras manifesta a sua confiança em Deus, levantando a cabeça para olhar de frente a sua luz, porventura a atravessar uma daquelas janelas do templo levantado por cima das antigas ruínas, com a ajuda dos reis da Pérsia.No Novo Testamento, uma vez que o “templo” é outro − a Pessoa de Cristo − a prostração, para além do gesto em si, é algo que os que são chamamos a segui-Lo mais de perto fazem com o desprendimento e a confiança na força da Palavra de Deus. Isso prova-se quando o muito (ou pouco) que fazemos está assente nesse “chão”. Se, apesar dessa humildade, o que fazemos não resulta muito, continuemos a tentar de cabeça levantada, “sacudindo o pó” do ressentimento em relação a quem não acolhe a Palavra transformada em vida e dinamismo.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo