Abraçar Deus numa criança

[Leitura] Sab 2, 12. 17-20; Sal 53 (54); Tg 3, 16 – 4, 3; Mc 9, 30-37

[Meditação] As crianças são dos seres mais indefesos e dependentes que conhecemos; por isso, nutrimos por elas o maior dos afetos e sofremos nos seus cuidados as maiores preocupações. Não querendo aqui considerar o caso de quem as despreza ou maltrata (abominação!), mesmo que nos sintamos inspirados de cuidados por elas, nem sempre as temos como modelos de aproximação a Deus. Talvez porque fala ainda muito alto dentro de nós a omnipotência da criança que fomos; talvez porque teimemos a pensar que, para obtermos de Deus alguma atenção, precisemos de nos considerar “os maiores” nisto ou naquilo…

O Evangelho deste XXV mostra-nos Jesus a caminhar com os seus discípulos, mostrando-Se como um dos “pequeninos” que não oferecem resistência à sua vocação de ser “entregue, morto e ressuscitado” e aqueles distraídos a considerar outros supostos caminhos de felicidade. Esta atitude leva-nos a perguntar: mas, afinal, o que verdadeiramente importa para percorrermos o caminho da salvação? O que é essencial? Para respondermos a esta pergunta difícil, talvez tenhamos, também, que deixar a mania da complexificação (ainda que por desejo de importância intelectual), passando à loucura da simplificação da procura. Esta só se poderá conseguir, porventura, trocando a tendência da competição por uma meta utópica pelo serviço aos que são considerados os “últimos”.

Pode acontecer que, por tentarmos ser “como” as crianças nos chamem de loucos e nos “armem ciladas”, aproveitando-se de nós. Precisamos de correr esse risco, confiando que o “Senhor é o sustento da nossa vida”. Um bom método para percorrermos a via de Cristo pelo serviço é, situando-nos no “último lugar” da humildade, atender ao que o “psicólogo” Tiago nos sugere: fazer mudança de nós próprios a partir de dentro, tirando do coração toda a espécie de maus sentimentos que fabricam as guerras e abrindo-o à sabedoria que vem do alto, única capaz de nos ajudar a construir a paz.

Por estes tempos, nas nossas comunidades, tem-se vindo a preparar a abertura da atividade da Catequese, pela matrícula das crianças e organização dos catequistas. Saibamos, no início desta atividade importante, abraçar as crianças na consciência de que estamos a abraçar Deus. Saibamos que, também, no amor que lhes dedicamos, estamos a ser abraçados por Deus. O amor de Deus, quando acolhido por alguém, transforma-se naturalmente em reciprocidade.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo