No “jogo” da fé, perder de si é ganhar para todos

[Leitura] Is 50, 5-9a; Tg 2, 14-18; Mc 8, 27-35

[Meditação] É surpreendente a quantidade de pessoas que estão, neste preciso momento, a fazer uma travessia dramática, deixando para trás pessoas, bens, sonhos ou, até, a miragem de uma paz que a guerra teimou em destruir, à procura de um novo ambiente onde a possam encontrar. A situação dos refugiados tem vindo a ser clamorosa e alvo de notícias confusas, assim como de toda a espécie de comentários avulsos por parte de quem aguarda, na esperança de ajudar ou no  cuidado para com a defesa. Na realidade, diante da indigência, muito se fala, pouco se faz. A resposta à pergunta de Jesus −  «E vós, quem dizeis que Eu sou?» − reveste-se, hoje, de contornos bem delineados pelos vultos destas pessoas que, antes de nos merecerem a boa obra do acolhimento, já nos bateram à “porta” das televisões e das consciências. Tentando compreender o que diz o Apóstolo Tiago, de que vale muito falatório cultual se não houver manifestações externas de fé que valorizem a vida dos outros. Não é só na Quaresma que é propício entender que o culto que agrada a Deus é matar a fome e vestir o pobre…! Infelizmente, há muitos que vivem sempre em “Quaresma” sem nunca passar à “Páscoa” (passe a repetição) de poder viver em liberdade com as condições consideradas justas. O credo, daqui em diante, terá de ser mais: «Eu tenho fé em Deus = Eu faço as obras de Jesus». Quer dizer: o credo-falado deste XXIV domingo do tempo comum “grita” por ser esmiuçado em credo-ferial-praticado. Neste sentido, está claro que quem praticar as obras da fé, ainda que não seja perfeito em participar em todos os momentos do culto, razoavelmente se entende complementar essas duas dimensões da vida cristã.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo