Publicado em Lectio Humana-Divina

Continuam redes a romper-se, barcos a afundar-se e… pecados a afastar-nos

[Leitura] Col 1, 9b-14; Lc 5, 1-11; GREGÓRIO MAGNO, Regra Pastoral; PAPA FRANCISCO, Laudato Si’

[Meditação] No dia em que a Igreja celebra o Pastor da Igreja S. Gregório Magno, fomos surpreendidos com uma imagem que, pelas redes sociais, se tornou mais um dos símbolos dos crimes mais aberrantes que estão a acontecer no mundo: aqueles que atentam contra os direitos mais básicos da vida humana. Não há símbolo mais forte que este para nos transportar para a realidade total que liberta. No entanto, não podemos ficar satisfeitos com uma leitura superficial à tona das emoções fortes que estas imagens causam. É necessário descortinar o que está por detrás delas: um mau uso da liberdade por parte de quem quer o mundo (ou parte dele) só para si. Por detrás desta imagem de criança sem vida à beira da praia está uma rede familiar rompida, por não ter sido possível agarrar esta vida, pela obscuridade das circunstâncias e a força da tempestade humana. A viagem num barco a afundar-se, pelo excesso de tripulantes, não significa que é uma viagem programada, mas uma fuga impulsionada pelas ondas maléficas dos que teimam em desumanizar o planeta. Resta considerar, com mágoa e misericórdia (porque só esta é que, enfim, pode ajudar a abrir caminhos de superação do mal) o pecado dos que arrancam a vida aos inocentes com atos terroristas e dos que nada ou pouco fazem para além da declaração de palavras já mortas pelo medo. Somos, inspirados pela Palavra de Deus deste dia e pela regra pastoral de Gregório Magno, a “viver de maneira digna, realizando toda a espécie de boas obras”, uma vez que, segundo o Papa, o cuidado com esta terra comum está intimamente ligada ao cuidado para com os pobres. Parafraseando as palavras do Apóstolo aos Colossenses, é, certamente, Deus Pai que está a incentivar os refugiados a fugir das trevas para uma terra mais parecida com o reino de Seu amado Filho, “no qual temos a redenção e o perdão dos pecados”.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu