Encontrar e deixar-se encontrar: precisam-se mediadores

[Leitura] Ap 21, 9b-14; Jo 1, 45-51

[Meditação] Quando nos encontramos com alguém que nos diz, por palavras ou por gestos, o que é e o que pensa, podemos, à primeira vista, tender a reagir com alguma resposta, mas, ao mesmo tempo, estamos perante uma pessoa “sem fingimento”, da qual não esperamos surpresas nem gastamos grandes energias para a conhecer no essencial. Natanael teve essa coragem em, pela forma como “cumprimentou Jesus”, dar-se a conhecer como “verdadeiro israelita”. Aquele que já nos conhece e nos “vê” na nossa história e desde as nossas raízes, também já se fez conhecer com o que está escrito na Lei e nos Profetas. Jesus não é um eterno desconhecido, também Ele não finge ser quem é: já foi sendo apresentado ao longo dos séculos. Como cristãos, podemos, por vezes, correr o risco de ser um pouco como os judeus, estando ainda à espera que Jesus Se manifeste, como se ainda não tivesse vindo à terra. Uma das causas para este tipo de posicionamento diante de Jesus é o medo em a pessoa se assumir quem é na realidade − raízes história, personalidade, etc. − para deixar-se transformar no encontro com Aquele que tudo vê e tudo sabe.Infelizmente, há muitas pessoas que, procurando uma vida de relações mais cómodas e conformadas com essa “comodidade” que é a homologação de pensar da mesma forma que os outros para não sofrer confrontos, chegam a renunciar às suas raízes e à sua história. Assim, não se movem para um ser melhor, transformado pelo confronto com o que é diverso de si e pela verdade.

A Cristo ninguém passa despercebido, como Natanael debaixo da sua figueira. No entanto, precisam-se mediadores que, como Filipe, ajudem a formar as consciências através de um simples, direto e verdadeiro testemunho de vivência cristã fundada na relação com Jesus Cristo. A comunidade é o lugar onde O podemos encontrar de diversas maneiras. Faz como Natanael. Não te isoles debaixo da tua figueira, pois ela, apesar de começar por dar alguns frutos doces, pode vir a secar…! Figueiras há muitas e as suas sombras não costumam estar despovoadas! Há caminhos por andar, à procura daquele Caminho que é, também, Verdade e Vida. Serás “Bartolomeu”!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo