Publicado em Lectio Humana-Divina

Virgindade, Celibato e Castidade: holocausto ou banquete nupcial?

[Leitura] Jz 11, 29-39a; Mt 22, 1-14

[Meditação] A memória de São Bernardo coincide com o final do capítulo 11 do Livro de Juízes, onde observamos os votos da filha de Jefté. Vemos claramente que a virgindade desta donzela não é compromisso seu, mas do seu pai. Assim era também com o casamento, como descreve Jesus, quando disse: «Nos dias que precederam o dilúvio, comia-se, bebia-se, os homens casavam e as mulheres eram dadas em casamento, até ao dia em que Noé entrou na Arca» (Mt 24, 38). Portanto, na cultura anterior à “arca” e antes da Nova Aliança, tratava-se de votos para “morrer virgem”. No tempo inaugurado por Jesus Cristo, trata-se de “votos para viver” na liberdade isto ou aquilo. E trata-se de uma liberdade pessoal! Talvez seja esta a “veste” para o banquete do Reino: uma liberdade que aceita o amor de Deus vivido neste ou naquele estado de vida, desde o Batismo. Como diria, Amedeo Cencini, a Virgindade e o Celibato existem como uma possibilidade de vida para uma sexualidade pascal e não por outros motivos. Portanto, condições para que estes “votos” sejam um “banquete” e não um holocausto (assim como o da Castidade que também se pode viver no Matrimónio): que não seja promessa de alguém para outro/a viver; ato de liberdade pessoal; como entrega a uma desígnio divino de amor. Era assim que São Bernardo vivia, com cuja alegria atraia muitos irmãos para o seu convento.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu