Caminho de deserto: do maná que sacia ao Alimento que faz não ter mais fome

[Leitura] Ex 16, 2-4. 12-15; Ef 4, 17. 20-24; Jo 6, 24-35; São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 1; C.S. Lewis, As Crónicas de Nárnia

[Meditação] A Liturgia da Palavra deste XVIII domingo do tempo comum (ano B), na sequência do último domingo, mostra-nos a multidão a procurar consecutivamente Jesus, que se apartava dela para não Se deixar buscar como Rei terreno ou político (de facto, Ele não veio para tratar das coisas da terra, mas para nos governar na direção do Céu!). E consegue, como vemos no progresso deste encontro coma multidão:

«Mestre, quando chegaste aqui?», é uma pergunta de quem quer manipular a agenda de Jesus, como se Ele fosse funcionário da satisfação dos desejos da humanidade; ao que Jesus constata que a busca da multidão é mais animada pelo alimento que faz perecer do que por aquele que sacia para sempre. A pergunta seguinte já indica uma evolução: «Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?»; ao que Jesus responde sobre o tal alimento que mata, verdadeiramente, a fome de tudo com algo que vem de Deus: «acreditar n’Ele», não só no que faz de imediato, mas no que indica de extraordinário, o que Ele é e representa. A petição final da multidão − «Senhor, dá-nos sempre desse pão» − não deixa dúvidas de que está aberto o caminho para a “transformação espiritual da inteligência” que Paulo exorta a todos os que procurar a vida em Cristo.A travessia que, na verdade, a Liturgia deste domingo nos propõe é a do deserto que vai do “homem velho” que somos ao “homem novo” que somos chamados a ser, à imagem de Deus. Este desafio não é fácil, porque, frequentemente, a tendência da “entropia” está presente, a reagir ao grande “milagre da evolução”. A “entropia” atrai-nos para o caos inicial cujos resquícios de força ainda estão presentes na natureza; a evolução é, já, por si, fruto de um milagre, mostrando que há Alguém que nos atrai para Si. Quando a evolução chegar ao seu auge, já nada do que é terreno será necessário para nos satisfazer, porque estaremos totalmente satisfeitos. O caminho para lá chegarmos, mais credível, é o da “justiça e santidade verdadeiras”. Esta implica uma tomada de posição pessoal em relação aos dons que Deus nos dá. E o dom mais excelente é o “Pão vivo que desceu do céu”, que temos a possibilidade de receber na Eucaristia. Este sacramento, celebrado sobretudo semanalmente, é um marco importante na estrada de cada um de nós: cada celebração é uma parte a caminhar para um todo; enquanto que a satisfação imediata dos nossos desejos, sem Cristo, é uma parte a deteriorar-se. Assim pareceu a murmuração do povo, ao querer regressar ao Egito; valeu-lhes Moisés. No caminho de Emaús, Jesus não deixou que aqueles dois regredissem até à “terra da infância”, mas, com o reconhecimento do Pão vivo do Ressuscitado, voltaram à Jerusalém da sua vocação missionária.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo