Publicado em Lectio Humana-Divina

Relação com Cristo, o “crisol” que purifica e salva

[Leitura] Ex 33, 7-11 – 34, 5b-9. 28; Mt 13, 36-43

[Meditação] Ao escutarmos o Evangelho de hoje, se “tivermos ouvidos para ouvir”, pomo-nos em sentido no que toca à consciência das imperfeições pessoais, em relação com o ideal de perfeição a que somos chamados. E quanto mais acompanharmos Jesus da “multidão” à sua “casa”, mais nos sentiremos incomodados pela proximidade da Luz que ele é entre a realidade que somos e o bem aparente com que nos teimamos a “mascarar”. Uma vez que Jesus Cristo é a “chave” ou o critério interpretativo das Escrituras, convém não nos apressarmos logo a concluir, que Jesus quer que os “maus” vão para o suplício eterno, uma vez que são “filhos do Diabo”. Se Ele é o novo Moisés, não teria que ser menos que ele no que toca ao abrir diante dos seus discípulos a grandeza da misericórdia de Deus que, se, por um lado, nos fere e nos castiga, por outro, sempre nos atrai para a salvação, com todos os meios que tem à Sua disposição. Parece-me que a explicação que Jesus partilha com os seus discípulos tem uma dupla finalidade: educá-los e provocá-los. Educá-los com um propósito preventivo: é precisa uma ascese, quer dizer, é preciso caminhar com os próprios pés. Provocá-los com a abertura do mistério de Deus que é insondável e que nunca deita para a “perdição eterna” (como diriam/dizem os jansenistas) os que considera/se consideram Seus filhos na garantia do que nos diz João em 1Jo 3, 1a-2.O facto de Jesus dizer que os escandalosos irão para a fornalha ardente, não quer dizer que lá fiquem eternamente. O “choro e o ranger de dentes” pode igualar-se ao “sofrimento” dos metais preciosos no crisol. Esta provação serve, ainda, para fazer desprender do joio aquilo que pertence à dignidade dos filhos de Deus. Dá a impressão que Jesus, com esta chave de interpretação, quer poupar os seus discípulos às provações finais mais duras na purificação que antecede a felicidade plena do Reino. Quer avisar-nos, com a sua pedagogia, de que vale mais “sofrermos” o caminho na relação purificadora com a Luz que Ele é, do que irmos agarrados ao joio para uma separação mais dura de sofrer. Neste caminho de purificação, pode ajudar-nos muito o saber equilibrar a participação multitudinária da experiência da fé (grupos, assembleias, multidões, etc) com a experiência da “tenda do encontro” com Cristo, onde, na intimidade, nos podemos deixar olhar e confrontar sadiamente em vista a uma purificação contínua que garante o crescimento na autenticidade da fé.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu