Publicado em Lectio Humana-Divina

A paz de Cristo é um “banco corrido” e não uma “poltrona”

[Leitura] Jer 23, 1-6; Ef 2, 13-18; Mc 6, 30-34

[Meditação] Os símbolos valem o que valem, pelo que fazem funcionar: a união ou comunhão com a parte que referenciam. No caso deste XVI domingo do tempo comum a comunhão e a paz. As leituras desta Liturgia trouxeram-me à memória símbolos como o “bando corrido” das igrejas, onde as pessoas se juntam, às três e às quatro, conforme couberem, para escutar a Palavra de Deus e comungar o Pão da Vida, em vez das poltronas onde meramente nos assentamos no bem-estar individual. Fizeram-me lembrar, também, o tempo em que, depois da lavoura, em casa dos meus avós, se comia da mesma travessa, à volta da qual se encostavam os garfos para todos petiscarem, em vez dos pratos individuais onde, nalgumas casas, não há muito que comer (ou nada), e noutras a fartura de estragar. Também me fizeram evocar algumas terras por onde passei neste ano pastoral em procissões e onde vi ruas apertadas e casas pequeninas de porta-com-porta e janela-com-janela, onde, certamente, as pessoas podiam conversar sem sair de casa, contrastantes com muitos apartamentos citadinos onde as pessoas nem sequer se cruzam para se poder dizer um simples “bom dia”. Portanto, em todas as dimensões do viver humano podemos encontrar símbolos que nos transportam para a comunhão e a paz e, infelizmente, também, estratégias de estruturam a desunião e a solidão.

Ai daqueles “pastores” que dispersarem as minhas ovelhas…! O antigo testamento oferece-nos a constatação de uma necessidade de pastores e o novo mostra-nos o cumprimento pleno da promessa em Jesus Cristo. S. Paulo declara «Cristo é, de facto, a nossa paz»; o Evangelho mostra-nos que, «de facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir…». Hoje, estes dois “DE FACTO” continuam a existir na constatação da necessidade profunda de comunhão e de paz e na oferta permanente que Jesus Cristo nos faz de vida e de amor. Precisam-se homens e mulheres “cântaro”, como nos diz o Papa Francisco, que saibam beber constantemente desta Fonte de paz e a saibam dar de “beber” aos sedentos deste tempo.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu