A quem mente cresce o nariz, a quem julga a sobrancelha

[Leitura] Gen 12, 1-9; Mt 7, 1-5

[Meditação] É verdade! Já o experimentámos, uma ou outra vez: para conhecermos melhor um objeto, temos de nos manter a uma certa distância dele, pois também faz parte de si o contexto ou a realidade circundante em que está inserido. Segundo a famosa Janela de Johari, cada um de nós não é detentor senão de uma pequena parte do conhecimento, não só da realidade, mas inclusivamente de si próprio. E há mesmo aspetos de si que só os outros é que conhecem. Por isso, a melhor forma de, com o julgamento, não vermos crescer a “sobrancelha” do orgulho, o melhor é optar pelo silêncio capaz de se distanciar para ver melhor. Foi isso que fez Abrão: pegou nas pessoas e princípios que lhe eram mais caros e foi à partida do desconhecido, segundo uma Promessa. A Fé e a Vocação precisam disso: uma necessária emancipação de pressupostos, por vezes, enganosos, preconceituosos ou, pelo menos, limitados do que é a realidade do homem e do Deus único que o chama a uma vida mais plena. Para isso, é preciso uma grande coragem, independência de pensamento (mesmo dos mais próximos) e força para dar passos certos numa direção que começa por ser incerta, mas que vai ganhando a cor do horizonte. Por isso é que a hipocrisia, como a mentira, apanha-se rápido. Conforme se diz “apanha-se mais rápido um mentiroso que um coxo”, também se diz “apanha-se mais rápido um hipócrita que um cego”, porque esta fecha mais os olhos à realidade total que a mera cegueira física. Há que trabalhar o olhar, para podermos ir conhecendo e transmitindo a Verdade.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo