Publicado em Lectio Humana-Divina

Uma grande árvore onde todos nos podemos abrigar e alimentar

[Leitura] Ez 17, 22-24; 2 Cor 5, 6-10; Mc 4, 26-34

[Meditação] A liturgia deste XI domingo do tempo comum (ano B), convida-nos a escutar o Mestre a falar de maneira a que possamos entender o Reino. As suas parábolas, à primeira vista, têm sempre um sentido imediato que todos possam compreender; e, também, podem ser aprofundadas por quem vive mais perto no seguimento de Jesus, nos momentos de formação ou aprofundamento da fé em comunidade. À primeira vista parece estar claro: somos convidados a semear, mas acreditando que quem faz crescer é Deus. Por isso, somos convidados a fazer o bem com a confiança de que Deus tudo aproveitará para nos fazer crescer, mesmo que não possamos ver imediatamente os frutos dos nossos esforços. No entanto, num mundo de protagonismos açambarcadores do processo de crescimento, pode ser mesmo esta a primeira dificuldade: não deixar que Deus faça a maior parte, mesmo sabendo que acontece como mistério.

Por exemplo, sempre se falou mais da árvore proibida, do conhecimento do bem e do mal, de onde os nossos primeiros pais não deveriam ter tocado; mas pouco se falou ou fala da árvore da vida, de onde se pode e deve comer, para nos alimentarmos e crescermos (cf. Gn 2, 16-17; Gn 3). Assim acontece com a Igreja, chamada a ser “parábola” do Reino: muitas vezes se insistiu no que se deve ou não fazer e, no entanto, há tanto que viver e recriar à luz do Espírito que nos foi dado. A Igreja não é um “crivo” (onde uns podem passar e outros não); é, antes, uma “árvore” muito grande, onde todos os que quiserem se podem abrigar e alimentar. E é antecipação do Reino, ou seja, onde podemos treinar a habitar no Reino de  Deus. Por isso, um outro desafio nos é dado: o de colaborarmos ativamente na construção do mesmo Reino, através da nossa experiência de pertença à Igreja, mas sabendo, de antemão, que Deus é Quem diz e faz. E Ele não deixará nada ao acaso! Procuremos confiar o que nos salta do protagonismo a Deus, pois o que o ser humano não consegue, Deus concretiza se for para nosso pleno bem.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu