Publicado em Lectio Humana-Divina

A memória de um povo protegido e o “medo de ter medo”

[Leitura] Dan 10,2a.5-6.12-14ab; Lc 2, 8-14

[Meditação] É curioso que o Papa Leão X tenha concedido à nação portuguesa a celebração desta memória. É a memória de um povo que se sente protegido. Confirmam-no as aparições em Fátima, onde também o Anjo de Portugal não faltou. Na verdade, olhando para os acontecimentos à nossa volta e a sobrevoar sobre nós, sempre tivemos a sensação de ser poupados a males maiores como os relatados na profecia de Daniel, em que o homem da sua visão ainda foi preciso chamar o Arcanjo Miguel para fazer resistir o Rei da Pérsia. No entanto, a Liturgia convida-nos a posicionar essa consciência num fundamento muito mais longínquo: o anúncio do Nascimento de Jesus.Ali, os Anjos aparecem aos pastores, convidando-os a não ter medo, porque nasceu o Salvador, Cristo Senhor. E todo o exército celestial aparece para confirmar a fonte do seu poder. O Papa Francisco, inicia a sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium afirmando que a «alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus». Por isso, uma angeologia que não tenha presente este pressuposto, neste tempo muito propenso em se venerarem os anjos, pelos mais diversos motivos e formas, nem sempre cristianizadas, corre o risco de ser um misticismo vazio ou fantasia egocêntrica. Os Anjos são enviados de Deus, seus mensageiros. Por isso, não só trazem uma mensagem, mas também uma missão. “Não tenhais medo” tem sido também o refrão de muitos Papas, conscientes de que devemos temer mais o medo do que propriamente as suas (nem sempre reais) causas. Hoje, vivemos um tempo muito propenso a que as pessoas vivam uma ansiedade desproporcional, causadora, muitas vezes, de pânico. Este é efeito de um “medo de ter medo” para o qual também precisamos daquele anúncio positivo e da presença dos Anjos, sobretudo o da Guarda de Portugal, que nos ajudem a focalizar a atenção na presença de Deus Salvador. Quem poderá contra Ele? Deixemos que Ele nos ilumine a memória com a luz da sua misericórdia.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu