Consagração é toda a entrega com intenção pura

[Leitura] Tob 6, 10-11 – 7, 1. 9-17 – 8, 4-9a; Mc 12, 28b-34

[Meditação] Contemplando este núcleo central da história de Tobias e Sara proclamado hoje na liturgia, em Ano da Vida Consagrada e Sínodo sobre a Família, considero que o Matrimónio e a Família deveriam ser considerados Vocação de Especial Consagração. Na verdade, observando o défice de celebrações do Sacramento do Matrimónio e a lamentável crise das famílias. Fruto de alguma “privatização” das famílias e, porventura, “excesso” de cânones, há muita confusão à volta do que é a família e os papéis dos seus elementos, num mundo paradoxal: apoia-se o pluralismo, mas, ao mesmo tempo, defende-se da diversidade e complementaridade dos sexos (não estaremos, por aqui, a pagar uma fatura…?!). Jesus simplificou a consagração − não há maior mandamento que estes: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Não estaremos a precisar de um recalibrar da perspetiva da especial consagração dentro das vocações na Igreja, uma vez que a família é um pressuposto das outras vocações? Estando aquela em crise, as outras perdem o suporte (cera) do carisma (a chama).Ao ler o texto de Tobias de hoje, tive a impressão de os pais de Sara estarem a enviar aqueles dois para uma “câmara da morte”, uma vez que a experiência antecedente de Sara ter sido dramática (tinham morrido todos os 7 maridos antes de a terem recebido!). É curioso que, na língua italiana, quarto se chame “camera”. Tenho a impressão de os divórcios que se realizam hoje em dia representam um número mais dramático do que aquelas 7 mortes! No entanto, aquilo que parecia vir a ser uma experiência de morte, foi na verdade uma experiência de entrega com “intenção pura” (que é o que parece estar a faltar em muitas entregas vocacionais no matrimónio, no sacerdócio, na vida consagrada…), pois eles levantaram-se, rezaram e seguiram o seu caminho como projeto de vida. É isto que é necessário para termos a vida eterna!

ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo