Publicado em Lectio Humana-Divina

Oração de fiéis, descendência de irmãos

[Leitura] Tob 3, 1-11a. 16-17a; Mc 12, 18-27

[Meditação] Diminuiu muito a fasquia da preparação espiritual que antecede a preparação dos sacramentos. Não admira que a celebração dos mesmos esteja em crise (embora não a sua eficácia, que não depende de nós). Veja-se o Matrimónio: com vista a preparar os que o vivem para a irmandade do Reino, é visto por muitos como um mero contrato social entre um homem e uma mulher (ou, patologicamente, entre pessoas do mesmo sexo), sem aspiração a algo mais elevado. Por isso, o Matrimónio não serve só para “fazer filhos”, mas para organizar uma comunidade de irmãos (não vistos, agora, de mera relação de sangue). A história de Tobit e Sara mostra-nos que pensar as relações maritais como uma mera ação de procriar dá em “confusões de sangue”, mais geradoras de doenças do que “transfusão” para a vida plena do Reino. Entregam-se muitas “alianças” sem referência à Aliança entre Deus e o seu Povo! O que virá a ser isto? Não admira que muitos, mesmo sem morrer e sem deixar descendência de uma relação, andem de casamento em casamento, à procura de uma relação mais estável, não sendo informados de que a a verdadeira estabilidade não está no mero pacto humano, mas na Aliança com Deus e com o objetivo para o qual Ele nos criou.A oração de Tobit e Sara antecipam o que Jesus diz das relações humanas, incluindo as matrimoniais: no Reino, nem se casam, não são dadas em casamento. Aqueles dois, conseguem sobreviver às tribulações e ao confusão da cultura do seu tempo através da oração. Vamos ler mais adiante, na liturgia, o desenrolar da ação através de um belo texto que a Igreja introduziu no Leccionário do Matrimónio. Este texto (Tob 8, 4b-7) mostra-nos como, para além de um pacto social, a relação entre os dois conjuges tem uma carga preanunciadora do que virão a ser as relações interpessoais no Reino. Di-lo a oração entre os esposos, hoje tão em falta nas nossas famílias, talvez grande causa do desmoronar do Sacramento.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu