Muita folha e pouco fruto ou muitos adornos e pouco coração

[Leitura] Sir 44, 1. 9-13; Mc 11, 11-26

[Meditação] Por estes meses do final do ano pastoral, em que por muitas paróquias se realizam festas importantes como a profissão de fé e a primeira comunhão, assistimos não raramente a situações onde à preparação dos aspetos exteriores (desde o vestido e fato novos, até aos aparatos rituais mais inovadores) é dada uma importância exagerada em relação à preparação espiritual que dá maior sustento à perseverança na continuidade ao que esses ritos iniciáticos propõem. O mesmo se passa com o Crisma: muitos anos de realização externa de etapas e encontros, mais ou menos bem desenvolvidos (pelo menos intencionalmente) para o fim a que se propõem e… uma despedida (da Missa e da Missão, para muitos casos). O que se passa? A resposta está no que Jesus diz à figueira estéril.

A cena da expulsão dos vendilhões do Templo aparece entre os dois encontros com a figueira, textualmente dentro do que se chama uma “inclusão semítica (que eu gosto de chamar uma espécie de “sanduíche literária”!). O género literário quererá sugerir-nos que pode acontecer com a nossa oração ou celebração dos sacramentos o que aconteceu com aquela figueira. À primeira vista, Jesus parece-nos estranho ao querer que a figueira dê frutos fora do tempo (como poderia?!). Também parece estar a acontecer isso, quando queremos que, na idade em que se encontram muitos dos nossos catequizandos, se contemple no que se celebra aquela maturidade requerida para o ato e a consequente vivência a que ele se refere. Não será que está a acontecer ou já aconteceu um desequilíbrio (do qual se estão a pagar alguns “juros”), por se ter apostado mais em exterioridade do que no sentido nuclear do que se pretende com a fé e o caminho que ela pretende iluminar?

O povo também diz: “muita parra e pouca uva” quando vê exageros que não levam a objetivo nenhum. Às vezes, já é tarde quando se verifica que, afinal, os vestidos já se compraram (com todos os argumentos imaginários a favor) e seria uma asneira desperdiçar tanto dinheiro. E já está pago o preço, antecipadamente, por não darmos um lugar maior àquilo que verdadeiramente interessa: o Templo e aquilo para o que ele foi feito − casa de oração para todos os povos.

Se estivermos no coração, então podemos pedir tudo… os frutos!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo