Publicado em Lectio Humana-Divina

O Espírito da Verdade que nos une na diversidade

[Leitura] Act 20, 28-38; Jo 17, 11b-19 [Meditação] Estamos quase a celebrar o Pentecostes e esta semana, entre o domingo da Ascensão do Senhor e essa solenidade, serve de “prancha” para nos habituarmos a invocar o Espírito Santo que nos permite viver a vida entregues à Palavra de Deus e às graças que ela nos permite viver. Esse Amor, partilhado pelo Pai e pelo seu Filho Unigénito, permitir-nos-á fazer a experiência da unidade na diversidade. Esta requer muita vigilância: na realidade, há “diversidade” que não passa de “mais do mesmo”, pois não tivemos a coragem de inovar. E há “unidade” disfarçada de um grande desejo de diferença que dispersa do incómodo que é a pertença àquele rebanho que Jesus ganhou para o Pai com o seu próprio sangue.No Pentecostes, os Apóstolos partem todos do mesmo lugar, não geográfico, mas teológico: o dos dons do Espírito Santo, carismas que tendem a dar unidade ao que é diverso, sem que esta diversidade se perca. Ao tentarmos descrever esta relação entre unidade e diversidade, estamos a ousar navegar no Mistério da Santíssima Trindade. No Ano da Vida Consagrada, não será que a “dispersão” dos que detêm carismas pela via da consagração estão a ser chamados a vigiar para que a dispersão não os exponha aos “lobos devoradores” que se intrometem no seu seio? O perigo “quer” que saiamos da unidade para nos aniquilar. Não será este ano uma oportunidade para refletir o que é uno na pluralidade dos carismas e dons? Paulo trabalhou com as suas próprias mãos para seu sustento e para o bem daqueles que o acompanharam. Existir no mundo, não sendo do mundo, implicará esta coragem de não se deixar minar pela lógica do mundo (um silo de “modas” de prata e ouro). Estaremos conscientes, como Bernardino de Sena (Itália, 1444) de que, na missão que somos chamados a desenvolver no mundo, nos basta a proteção e sustendo do “santíssimo nome do Senhor”?

Espírito Santo, aproxima-nos da Verdade, “soldando” as peças diversas da nossa realidade humana com o Amor que vem do íntimo da Trindade. [ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu