Não quero outra comunhão que não venha da Paz de Cristo

[Leitura] Act 14, 19-28; Jo 14, 27-31a

[Meditação] Entristece-me que a palavra “comunhão” tenha caído em desuso nos diálogos entre cristãos, sendo mais um dos termos que ganha “pódio” na lista de tabus, ocupando o lugar de termos mais arrojados que passam a fazer parte do vocabulário quotidiano. Talvez se tenha feito da palavra comunhão o “bode expiatório” da sua ausência ou fragilidade dos que a desejam mas pouco praticam nos relacionamentos e decisões. Ora, os primeiro discípulos dão-nos conta que sem ela não teriam sobrevivido a ameaças de morte e a graves adversidades, como a que sofreu Paulo às mãos dos judeus de Antioquia e de Icónio. A reunião dos discípulos à sua volta foi o curativo que o fez voltar à tarefa do apostolado e se no perigo estava sozinho, depois não partiu sem Barnabé. E nós cristãos, andamos por aí a deixar que ameacem a nossa vida, porventura, à procura de paz?

Num tempo em que, na Igreja e ao encontro do mundo (das “periferias”), os discípulos de Jesus deveriam estar unidos, não só em intenções, mas também em ações concertadas, surge cada vez mais o particularismo de ações individuais e, até, de grupos fechados, inspiração de um tempo de iluminismo. Estaremos à espera de um novo ardor cristão que aproveite todos os meios à disposição para um novo tipo de expansão, não bloqueado por “aliciantes” e “aliciadores” que queiram teimosamente registar uma “marca” que não é deles? Esta tendência tem assombrado a Igreja, com a pressão de idealismos que nem sempre têm a ver com o Fundamento da nossa Fé cristã. Assim, surgem movimentos para tudo: novas formas de cura, terapias com sabor a passado, ritualismos com cheiro a mofo de latim mal falado, grupos fechados cujo objetivos são dolosamente incógnitos (não sei se para os de fora, se também para os próprios de dentro!), linguagens que pouco se percebem (mesmo para quem a utiliza).

Ainda não percebemos que a verdadeira Paz não é de origem meramente humana e a “patente” já foi “registada” por Cristo? É Ele o único vencedor do mal que profundamente nos assusta, mas que, n’Ele, não nos pode matar. Não estamos conscientes que só em Jesus Cristo e unidos só a Ele poderemos vencer ao encontro dos desígnios do Pai que é de todos? É verdade que há vários caminhos para Cristo e Paulo percorreu os que pôde, tanto melhor naqueles em que se deixou acompanhar. Mas para o Pai, só há um Caminho, Aquele que também é Verdade e Vida, que a Paz divina nos deixa encontrar.

Um bom teste para ver se, dentro da Igreja, vivemos uma comunhão expressiva ou se, pelo menos, tendemos a ela é medir a nossa capacidade de estar em “comunhão” (ainda que a outro nível) com os que são diferentes ou, até, divergentes. O Papa Francisco mostra-nos o exemplo, pedindo perdão a cristãos pentecostais  e a evangélicos pelas perseguições sofridas às mãos dos cristãos católicos.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo