Acolher a luz e elevar a voz em defesa dos perseguidos

[Leitura] Act 9, 1-20; Jo 6, 52-59

[Meditação] O caminho de Damasco é mais um daqueles processos de conversão que relata o recuperar da visão de Jesus Ressuscitado, como a história dos discípulos de Emaús, a conversão do etíope, etc. Desta vez, surge uma luz intensa vinda do céu e uma voz que dialoga com Saulo. Num tempo como o de hoje, em que ainda vemos cristãos a ser perseguidos, não será a luz da Páscoa celebrada na Liturgia um convite ao diálogo com as forças que ameaçam a sua fé? Imagino que até conseguirmos derrubar as forças mais poderosas contra os cristãos perseguidos no oriente (o que nos parece, à partida, uma utopia como o pareceria a conversão de Saulo para Ananias), teremos de derrubar, no ocidente, os muros da indiferença e da apatia espiritual.Os que celebraram a Páscoa não deverão considerar-se instrumentos escolhidos por Jesus para levar o Seu nome “ao conhecimento dos gentios, dos reis e dos filhos de Israel”? Há que transpor barreiras, primeiro dentro da própria consciência, depois das comunidades e depois fora das fronteiras visíveis da Igreja, para levarmos este “luz intensa” e fazermos soar uma voz forte, para que os perseguidores de hoje possam recuperar a vista diante da Verdade. É um processo que parece ser tão longo como, por vezes, utópico. No entanto, ceder a esta utopia, desanimando, é mais uma barreira a transpor. Ananias também precisou de ouvir a voz do Senhor, uma vez que já tinha recebido a sua luz. Não cedeu ao medo e foi verificar que o Senhor já se tinha antecipado com a visão interior a Saulo.

Embora não mudando de nome como Paulo, precisamos de mudar de figura, para o que, para além de visão correta, precisamos de alimento que nos dê força, aquele da Eucaristia, para termos em nós a Vida que somos chamados a transmitir.

ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo