Publicado em Lectio Humana-Divina

O Anúncio é um Reencontro!

[Leitura] Act 3, 13-15. 17-19; 1Jo 2, 1-5a; Lc 24, 35-48

[Meditação] Não é fácil acreditar no Ressuscitado. Acreditar é um processo muitas vezes lento, mas é possível. Quando? Como? É para isso que vem ao nosso encontro Jesus com a Sua Palavra neste III Domingo da Páscoa, pois não basta o testemunho de outros, é necessário que cada um faça a experiência de encontro com o Ressuscitado. É pena que na maioria das comunidades cristãs já tenha acabado a dinâmica da visita pascal. Parece que a celebração da Páscoa já acabou, despindo-nos, novamente, dos gestos que ajudam à manifestação do Senhor e escutando somente a Palavra nua, nas liturgias como se fosse tempo comum. O processo de acreditar, no decorrer do tempo manipulado por ondas e modas, acontece, pois, em três estádios, que são:

  1. É necessário acolher uma manifestação com a mente e o coração abertos. Não é fácil ter a mente e o coração abertos, quanto mais acreditar. É, até, compreensível termos dúvidas sobre a fé e a Ressurreição de Jesus, se até os do seu tempo fizeram a experiência da incredulidade, na contemporaneidade dos factos. Há quem nos tente encobrir os olhos sobre o que pode ser uma aproximação a Jesus que Se quer manifestar; e não me refiro meramente aos sinais físicos da fé, mas também aos desencontros com a Palavra e os gestos da fé, aqueles que manifestam o Amor de Deus, o Amor perfeito. Esta manifestação começa pelo entendimento das Escrituras, sobretudo, no que diz respeito a Jesus Cristo.
  2. Uma vez ultrapassada a ignorância, é preciso que cada um se identifique com Aquele que Se manifesta. Esta identificação exige que se tome partido por Jesus, não na sua forma meramente física, mas acolhendo os sinais do Seu Corpo glorioso: na Eucaristia, no doente, etc., pois Ele manifesta-Se identificado com a nossa realidade boa e menos boa. Identificarmo-nos com Ele é guardarmos a Sua Palavra, mais com os gestos de caridade do que com a teoria. A memória da fé é mais feita de factos do que de palavras soltas. É preciso dar o passo da coerência que confere autenticidade à vida cristã: crê-se e faz-se como se crê.
  3. Uma vez ultrapassada a incoerência moral, é preciso estar-se disponível para a missão de anunciar a Sua presença, quer dizer, partilhar o amor manifestado, transformante e comunicativo. O bem tende a comunicar-se. Se o que comunicamos não transforma o coração e a mente dos outros é porque é banal e não tem muito a ver com Jesus Cristo Ressuscitado. É porque transmitimos Jesus morto. Transmitir Jesus vivo é outra coisa: relacionar-me como ser transformado e amado por Ele.

Testemunhar Jesus Ressuscitado que nos ama e que nos faz amar de uma forma diferente (de uma forma coerente entre o acreditar e o viver, coisa nem sempre muito em voga!!), traz-nos a paz. Aliás, a Paz é Ele mesmo, que Se reencontra connosco na “soleira da porta” daqueles com quem partilhámos a verdade da sua presença amorosa e transformante.

Inicia, neste domingo, a 52ª Semana de Oração pelas Vocações, organizada sob o tema “Seguir Jesus, Caminho de Beleza, Vocação e Santidade”. Esta semana é de oração para as comunidades cristãs, mas não só − é uma provocação aos jovens, para que se deixem transformar com um apelo que é de sempre, mas também concreto, para cada um e uma: é um convite a uma vida apaixonante. Podem encontrar-se subsídios (orações, catequeses, etc.) no sítio das Vocações da Diocese de Viseu.

ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu