Publicado em Lectio Humana-Divina

Testemunho de autenticidade: do bom-senso-comum ao bem-comum

[Leitura] Act 4, 32-37; Jo 3, 7b-15

[Meditação] A. GRÜN, ao coroar o seu estudo sobre as oito bem-aventuranças como caminho para uma vida bem conseguida (Editorial A. O. 2010) sugere que Jesus regressará ao mundo nas pessoas. É, precisamente, quando os humanos, após um caminho de sofrimento penoso, tiverem descoberto a sua missão mais íntima e verdadeira: a vocação ao bem e à beleza. A bem-aventurança cria pessoas que se deixam guiar pelo Espírito de Jesus, pessoas nas quais o próprio Jesus vem ao nosso mundo, para ser perseguido de novo, por causa da justiça. Por meio dessas pessoas, nas quais Jesus vem a nós, provêm a salvação e a cura para o mundo inteiro. A Palavra de hoje fala-nos de duas caraterísticas do homem que vive pela água e pelo Espírito, portanto, um batizado-ungido: falar do que se sabe e dar testemunho do que se vê.Falar do que se sabe, diríamos que é obra do Espírito de Cristo em nós; já dar testemunho, será esforço de quem é iluminado pela Sabedoria de Deus. “Como pode ser isso?” − perguntava Nicodemos a Jesus, numa tentativa de desvendar a possibilidade de nascer de novo. A resposta de Jesus inclui a constatação de que, para os homens, não é fácil de aceitar o testemunho sobre as coisas da terra, quanto mais das do céu. Para que isto seja possível, é necessário que quem possui a visão sobre as coisas do céu, seja capaz de dar testemunho com uma boa gestão das coisas da terra. Exemplo disso, era a primitiva comunidade crente e, mais concretamente, o que fez Barnabé: vender o campo que tinha para depositar o dinheiro aos pés dos Apóstolos. Não podemos dizer que estas atitudes de desprendimento não aconteçam, mas não são frequentes, mesmo dentro das comunidades cristãs. O que será? Falta de sabedoria? Ou falta de vontade em dar-se testemunho crente? Um testemunho é uma cruz “levantada na terra” para que se abra uma porta para o céu. Aspiremos à autenticidade de vida cristã!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu