Publicado em Lectio Humana-Divina

Dar Jesus Cristo, a maior justiça

[Leitura] Act 3, 1-10; Lc 24, 13-35

[Meditação] Numa das bem-aventuranças, Jesus proclamou felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados (cf. Mt 5, 6). Para os filósofos gregos, onde ANSELM GRÜN reconhece mérito como contributo para a sua interpretação, a justiça não significa a mera observância de leis ou a justa distribuição dos bens. Significa, também, uma presença perfeita do espírito, que se verifica quando estamos totalmente presentes no que fazemos, fazendo o que nos compete. Isto permite-nos ser justo não só a favor de nós próprios (de acordo com a essência de cada um), mas também para com os outros, dando a cada um aquilo de que precisa.Pedro e João compreenderam que diante daquele homem coxo de nascença a maior justiça não era darem-lhe ouro ou prata, mas o que de maior riqueza tinham: a cura em nome de Jesus. É provável que os que levavam aquele coxo, diariamente, à Porta Formosa, não o fizessem desinteressadamente… Hoje, também há muitos “coxos” sem vontade própria para não fazerem parte de redes de tráfico comercial…

Os Apóstolos nada tinham de materialmente válido para dar, mas tinham a sua maior riqueza: Jesus Cristo. Seria injusto que não O partilhassem com aquele pedinte rastejante. No fundo, o que parece acontecer com aquele homem é um catecumenado. Todos os sinais e dinamismos presentes no relato de Actos 3, desenham o caminho que pode ser de um reviver a partir de Jesus Cristo. O mesmo nos aponta o texto de Lucas, com a história dos dois discípulos de Emaús, já tão bem conhecida como um dos mais belos modelos de catequese. Na verdade, mais do que dar esmola de forma viciante (“traficante”), é preciso ajudar as pessoas a procurar ter uma vida bem conseguida, ajudando a caminhar pelos próprios pés.

Concluindo: como cristãos, não devemos ter outro interesse que manifestar a todos os que precisam a presença de Jesus Cristo Ressuscitado, através de sinais inequívocos que a sua salvação é para todos, cuidando bem da pastoral (catequética, litúrgica e sócio-caritativa) nas nossas comunidades. Fujamos da tentação de fazer algo por interesse pessoal que não seja dar Jesus Cristo. Quando damos muito de nós próprios (incluindo o dinheiro), é porque ainda não compreendemos bem o dinamismo misterioso da ação do Ressuscitado, que tudo pode, como antes da Paixão, mesmo sem bens materiais.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu