Publicado em Lectio Humana-Divina

Sepulcro vazio: um testemunho que faz correr a dois ritmos e para fora

[Leitura] Act 10, 34a. 37-43; Col 3, 1-4 ou 1 Cor 5, 6b-8; Jo 20, 1-9

[Meditação] A corrida é provocada por Maria Madalena que foi de manhãzinha ao sepulcro e não viu o Senhor nela, pensando que o tinham roubado. Esta constatação da ausência do Corpo de Cristo, por si só, ainda não é a fé no Ressuscitado. Na verdade, foram os judeus que lançaram este boato. Mas o alerta destemido daquela mulher provoca uma corrida a dois tempos ou ritmos, que são: tocar e ver/acreditar. Tocamos no quê? Vemos o quê e acreditamos em quê? Como?

João corre mais veloz, com o seu coração centrado em Cristo, uma vez que ele sempre fora atraído pela intimidade espiritual com o Mestre. A mente de Pedro, porém, é mais empírica e quer investigar a Sua presença, para poder afirmar o seu amor por Ele e não mais O negar. A experiência destes dois sintetiza a experiência de todos os discípulos. É assim, irmãos, para viver verdadeiramente a páscoa de cristãos, apoiados na Páscoa de Cristo e no seu pré-sinal que foi a páscoa dos judeus, precisamos de tocar com a mente e de acreditar com o coração. Estas duas ações poderão não acontecer ao mesmo tempo, mas fazem parte da mesma corrida.

A dois tempos é, também, cada um dos tempos fortes do ano litúrgico. Na quaresma, o Papa Francisco apelou a que não cedêssemos à indiferença, chamando-nos a “tocar” na realidade do sofrimento concreto dos irmãos mais desprotegidos e pobres. Agora, no tempo pascal, somos chamados a acreditar que, em cada um dos nossos rostos iluminados, porque conscientes da Ressurreição de Cristo, somos convidados a expandir a Páscoa, não só por cinquenta dias, nem somente pelos domingos do ano, mas para fora das fronteiras visíveis da Igreja. Não nos devemos esquecer que aquilo que o Papa Francisco diz sobre a “Igreja em saída”) tem aqui uma aplicação prática muito oportuna: anunciar Jesus, não só dentro das casas de cristãos católicos, mas no caminho aos desalentados ou não convencidos de que Ele vive, assim como aos que ainda não O conhecem ou recusam acreditar n’Ele.

Não fiquemos parados! Vamos procurar os sinais e partilhêmo-los, no caminho Jesus Ressuscitado faz-Se presente para nos iluminar e nos alimentar a fé!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu