Publicado em Lectio Humana-Divina

“Sepulcro novo”, nova forma de morrer… e de viver

[Leitura] Jo 18, 1 – 19, 42

[Meditação] Silêncio! Para podermos adorar Aquele que preside na Cruz, na eloquência do sofrimento obediente ao Pai e no silêncio. A narração da Paixão do Senhor é um convite não só à revisitação do facto real do processo da paixão e morte de Jesus, como, também, oportunidade de mergulhar no mistério do Amor que Se deu até ao fim. Focalizo a minha atenção no “sepulcro novo” que José de Arimateia tinha reservado no jardim. Condizia, de facto, com a morte de Jesus, sem par na história da humanidade, porque uma morte livre, não induzida, embora se pudesse deduzir da leitura da história profética e pelo desenrolar dos acontecimentos de confronto da Boa Nova de Jesus com o poder instituído do mundo.O sepultamento de Jesus provoca na minha mente um regresso ao Éden, onde teve início a morte que é consequência do pecado, mas, agora, para dar conta que o Mestre inaugurou uma nova forma de morrer, em paz, através de uma morte que é passagem para uma nova relação com Deus e com a humanidade. O acontecimento que hoje celebramos permite-nos perceber a vida e a morte que cede o lugar à imortalidade como “fios” de um mesmo “tear” ou como “plantas” e “flores” de um mesmo jardim, aquele onde as “sementes” não têm medo de morrer para dar lugar ao crescimento e aos frutos.

Para os que ainda teimam em duvidar, a evidência da fé é precedida pelo “perfume” que é o testemunho dos cristãos, teimosos e ousados em não ceder ao medo de morrer para viver, contando que a vida a que aspiram não seja pequena ou mero desejo de defender esta vida terrena, porque perder esta é a “chave” para uma vida maior. Levemos Maria para a casa do coração de cada um de nós; que ele seja “sepulcro novo”, de onde o Ressuscitado nos poderá ajudar a pertencer à “Igreja em saída” para o mundo e para o Reino.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu