A hora adiantada, o jumentinho e o alabastro

jumentinho_alabastro[Leitura] Mc 11, 1-10; Is 50, 4-7; Filip 2, 6-11; Mc 14, 1 – 15, 47

[Meditação] Pela “porta” do Domingo de Ramos, entrámos na Semana Santa com menos uma hora, uma vez que adiantámos os nossos relógios, “correndo” para a “hora” de Jesus, que tudo consumou e completou com a Sua Paixão. Nesta hora sublime, Ele assume tudo o que é nosso, uma vez que Se fez semelhante a nós, o protótipo do “homem criado à imagem e semelhança de Deus”. Nos preparativos da Sua Páscoa, aparecem dois problemas de “etiqueta” (visto assim pelos homens): o jumentinho que os discípulos, indo à frente de Jesus, vão soltar, pois ainda não tinha sido usado. Há quem fique admirado com isto! E o alabastro com perfume caro partido para ungir Jesus, pensado por alguns como desperdício. Estes preparativos para a Páscoa de Jesus não têm nada de “etiqueta”, mas de simbólico. A “etiqueta” é o rosto da hipocrisia dos que não entenderam ou entendem os símbolos do misterioso amor de Deus manifestado por estes dias santos, achando exagerado que se “gastem” os elementos que Jesus escolhe para nos ensinar sobre a sua humildade (jumentinho novo) e o seu amor (perfume caro). Na nossa sociedade, quanta “etiqueta” com ritos desnecessários e objetos caros que não são símbolo de nada, a não ser da crença de alguns de que Jesus ficou morto e, por isso, vivem como se Deus não existisse ou não nos tivesse vindo salvar.

Está patente na nossa sociedade o que certos homens e grupos gastam para manter o seu “status” não sei de quê, numa tentativa de sobrevivência dos valores que professam (num qualquer tipo de humanismo mais ou menos desligado da declaração universal dos direitos do homem). É sabida a quantia de milhares de milhões de euros gastos para se manterem certos hábitos humanos (do “gourmet” ao desporto) e não passa de uma constatação em páginas de Facebbok que correm para baixo, para um escondimento na memória (mas não na realidade nua e crua dos pobres endividados!). Jesus, para celebrar connosco a Sua Páscoa definitiva, ensina-nos que na humildade e no amor não tem que se gastar nada do que já não esteja à disposição, dado pelo Criador: o tempo, a natureza e o coração humano.

A Igreja e os cristãos precesam de se centrar no que é essencial para se celebrar a Páscoa (não só litúrgica, mas também a passagem para o Reino), não obstruindo os sinais fundamentais com os quais se celebra a Liturgia Pascal (não bastarão so sinais previstos?) e não escondendo os valores com os quais já começamos a testemunhar que o Reino do Ressuscitado já está entre nós. Para isso, aceitemos que Jesus leve a sério tudo o que, em nós, é útil, desde o que se refere à nossa humanidade simples (até o jumentinho fez parte!), até ao perfume dos dons que depositou em cada um de nós (até ao vinho bom guardado para a Festa com os amigos!).

Obrigado, Papa Francisco, por teres descido do palácio para viveres junto aos teus e por teres deixado os pobres entrar nele para reconhecerem que também é deles. Assim, todos estamos na mesma Páscoa!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo