Publicado em Lectio Humana-Divina

O exemplo vem de cima: de Deus e de quem amar como Ele

[Leitura] Dan 13, 1-9.15-17.19-30.33-62; Jo 8, 1-11

[Meditação] A solução que repõe a justiça, por vezes, de um “rebento” novo como Daniel. A dignidade “dos anciãos”, se Deus quiser, não tem idade. É o que descobrimos na liturgia da Palavra deste dia, onde o caso de Susana nos faz lembrar muitas situações atuais, não só do foro da Moral Sexual, mas no foro da Doutrina Social, onde a dignidade humana é posta em causa para se manter um “status quo” aparente. Dizia Thomas Jefferson: “Se uma lei é injusta, um homem não apenas está certo em desobedecê-la, como ele tem a obrigação de fazê-lo». Leis injustas são como que “mentiras” e estas são como que “pedras” prontas a ser arremessadas a condenar alguém.

No episódio do Evangelho, Jesus aproveita para não só pôr em evidência a misericórdia de Deus e o seu poder de perdoar os pecados, como também a ilicitude dos que acusam sem terem o cadastro limpo. Qual é a diferença (em termos morais) entre quem rasteja até Jesus e quem levanta a mão com uma padra para a atirar? Jesus lança a sentença que não tem muito a ver com os códigos humanos: “Quem de entre vós estiver sem pecado…”. Com isto, os escribas e fariseus percebem que deram um “tiro” na Lei (como se fosse um tiro nos próprios pés em que parecem estar seguros) e põem-se em “fuga” em relação ao Amor misericórdioso: “Onde estão eles…?”.

Costuma-se dizer que “o exemplo deve vir de cima”. Está claro que este “de cima” significa, em primeiro lugar Deus que em Jesus Cristo deu a maior prova de Amor, sem nunca ter pecado. Em segundo lugar, de quem souber amar mais, imitando a divina misericórdia. O não ter-se pecado… é perigoso atribuir a alguém meramente humano… é melhor regressarmos a Jesus Cristo e não ter medo da sua misericórdia.

Há, portanto, uma lei que acusa e mata; e há uma Lei (a do Amor) que inocenta, porque percebe as circunstâncias do erro e cura. A vida não é para comércio, é para levar a ser mais e a alcançar a plenitude. É para todos, estejam em que circunstânicas estiverem. A cura do amor de Deus não tem efeitos colaterais maléficos. Porque não imitá-Lo?

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu