Meios de comunicação, onde está Deus?

[Leitura] Jer 7, 23-28; Lc 11, 14-23

[Meditação] Nunca, como hoje, tivemos tantos meios para comunicar. No entanto, o homem tem-se colocado no princípio, no meio e no fim de uma ação que, desde a sua sua raíz semântica à sua aplicação prática, deveria incluir o sentido da participação numa relação de correspondência e partilha. Temos as montras dos hiper cheias de phones e tablets à espera que um pai ou uma mãe os tire de lá como remédio para a hiperatividade dos filhos ou algum homo tacnologicus deixe passar o momento para se manter atualizado.

Mantendo-se tremendamente ocupado e aliciado com a mudança de hardwares e na atualização das linguagens que os fazem funcionar (softwares), pode acontecer que o homem se esqueça da eterna linguagem que está na origem e lhe inspira esta capacidade de criar novas extensões para o seu ser comunicativo por natureza. Os profetas foram “extensões” de Deus (que meios tão extraordinários, as pessoas!!) e, no fim dos tempos, para coroar o seu ato de comunicar com a humanidade, inaugurou o seu melhor interface: Jesus Cristo, em corpo e alma.

Os meios de comunicação acabam por ser meros “ensaios” para a plena comunhão em que o homem está convidado a participar, e onde ele e a sua relação com Deus e com os seus semelhantes são mais importantes que todos os meios. Como a Internet tem um próprio registo sobre autoridade, a Palavra de Deus poderá correr o risco de ser posta ao lado de tantas palavras consideradas no mesmo patamar, perdendo-se no mar da hipertextualidade e ser retirada do seu contexto e finalidade precisos: a revelação do amor de Deus e a salvação da humanidade.

Com a facilidade com que os jovens de hoje teclam para comunicar uns com os outros, está a perder-se, cada vez mais, a capacidade da fala ou da formalização dos pensamentos e sentimentos por meio da fonética. Enquanto teclam ou divulgam pequenos textos, imagens e sons, ligados por meio de computadores e redes sociais, pode acontecer que se alojem neles “Cavalos de Tróia” − que são modernas versões de inimigo que entra no interior para “vencer, tirar as armas e distribuir os despojos” − e instalem uma “gramática” que não serve como linguagem para facilitar o uso do “hardware” mais natural que o homem tem, o seu aparelho fonético.

Os meios já não são extensões do homem; este é que corre o risco de ser extensão dos meios ou dos seus mais interesseiros manipuladores! “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus…” (Jo 1). Escutemos a sua voz e transmitamo-Lo como princípio e fim de todas as coisas.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo