Publicado em Lectio Humana-Divina

A inquebrantável eloquência da Cruz

[Leitura] Ex 20, 1-17; 1Cor 1, 22-25; Jo 2, 13-25

[Meditação] A cruz costuma ser um objeto decorativo utilizado por crentes de vários níveis (no pescoço, em casa, etc.) ou, até, um emblema disputado entre várias instituições (igreja, escolas, etc.). Existe algo de irrevogável neste objeto: é sinal que não deixa ninguém indiferente, quer tenha nele fixado o corpo de Jesus Cristo, quer não. Vimos, há poucos dias, Jesus a dar uma lição aos seus Apóstolos, na subida para Jerusalém, sobre o que significa a humildade e o serviço, conteúdos do cálice que é preciso “beber” para se entrar no seu Reino. Talvez, nesta ascese, Ele os quisesse preparar para se confrontarem com os arredores do Templo daquela cidade e não se deixarem invadir pela tentação da idolatria, como o povo do deserto em redor do monte Sinai (Ex 32). Jesus tudo queria orientar para a contemplação do verdadeiro Templo que é o seu Corpo. Por isso, gasta tempo a falar-lhes do “suporte” ou “andaime” que O irá suportar: a Cruz. A esta, como vimos, há muitas formas de reação:

  1. Escândalo para os judeus − será porque pedem milagres?;
  2. Loucura para os gregos − será porque pedem a sabedoria?;
  3. Poder e sabedoria para os cristãos − os fracos e loucos que são chamados.

Há três tipos de idolatria ou esculpimento de imagens que podem afastar do grupo dos chamados ou da posssibilidade de responder a esse chamamento:

  1. Da figura do que existe no alto dos céus (na revelação, pelo misticismo desencarnado);
  2. Do que existe cá em baixo na terra (na natureza, por uma idolatria materialista);
  3. Do que existe nas águas debaixo da terra (no profundo, por um psicologismo racionalista). Tentar esculpir imagens do que faz parte integrante do mistério que só a boa relação com o verdadeiro Deus e verdadeiro Homem nos poderão desvendar.

Como é que, cedendo à “força” e “sabedoria” da Cruz não nos desviaremos do caminho certo? (Daquele que condiz com a subida de Jesus para Jerusalém.)

Propõe-se:

  • Em relação aos dados da fé, acolhê-los com alegria, sem fanatizar a letra, mas usando de misericórdia; sem esta atitude, construiremos um deus à nossa maneira, para o que nos convém.
  • Levar a sério os mandamentos, como forma positiva de proteger a vida de tudo o que, neste mundo, nos leva a uma desordem que mata. Trata-se de viver bem, mais do que cumprir.
  • Honrar as pessoas que nos transmitiram tudo (pai e mãe), não os culpabilizando daquilo que não nos agrada ou agradou, mas acrescentando aos seus dias ou à sua memória, o que ficou para nós decidirmos e construirmos depois do alicerce que eles formaram em nós. Isto implica escutarmos o chamamento de Deus que a cada um e uma (a todos, judeus e gregos!) realiza a salvação pessoal e leva a cooperar na missão.

Loucura sábia e fraqueza forte − são misturas que deixam qualquer investigador presunçoso ou atleta insolente de rastos. é melhor optarmos pela via da simplicidade… Ele bem sabe o que há no homem. Se quisermos, Ele nos completará e nos guiará.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu