O Domingo recomeça para os fiéis leigos e nunca termina para os presbíteros

Está, já, patente na Igreja a celebração do Dia do Senhor a partir das 12 horas do dia de sábado, prolongando-se até ao final do próprio dia do Domingo. Este “prolongamento” do Dia do Senhor faz com que, com a existência de cada vez menor número de presbíteros, aumente o número de celebrações do próprio dia e as chamadas de “vespertinas”. A preparação deste “longo” dia é, para os padres, uma rotina que, por um lado, pode impor uma carga pesada que obriga a uma boa gestão da sua vida espiritual; e, por outro, pode implicá-lo numa descida ao vale da existência para uma nova gestão do tempo e da arte com a qual é chamado a partilhar a graça recebida.

Em primeiro lugar, propõe-se sublinhar que o ministério que os presbíteros exercem não está na ordem dos fins, mas dos meios. É um instrumento para. Na ordem dos fins ou finalidade está o sacerdócio recebido no batismo (de todos os fiéis, portanto). É ao serviço deste que o sacerdócio dos padres está. É insubstituível, por isso, a existência dos padres (não estamos a imaginar que se, um dia, faltasse o padre que a Igreja “deixaria” que o pão e o vinho fossem consagrados por um fiel leigo; este, certamente, iria ser formado, ordenado presbítero e autorizado, assim, a fazê-lo). A missão que exercem desde a configuração com Cristo, Sacerdote, Cabeça e Pastor faz com que estejam ao serviço desde aquilo em que só por eles Jesus Cristo Se pode fazer presente no mundo, pelo poder do Seu Espírito. Por isso, eles terão de cuidar bem deste dom da presença eucarística, dado por Cristo ao mundo. Porque é que este dom não há-de ser preparado num continuum que permita, aos fiéis, ajudar a perceber que é todo um único dom? Não será fácil se o sacerdote “parar” para descansar de um fim-de-semana super extenuante e, muito menos, se ocupar o tempo que medeia as celebrações de mil-e-um trabalhos que ele poderia delegar ou gerir em equipa alargada.

Em segundo lugar, sugere-se que o Domingo, cuja vivência os fiéis leigos retomam na tarde de sábado com um movimento interativo interessante entre as catequeses e as celebrações vespertinas, ou na partilha de tempos que ajudam a extender a sua celebração a lugares mais distantes das comunidades, não termine logo para o padre. Muitas vezes, ele vive-o com a sensação de ser uma carga de trabalhos (dependendo do número de paróquias e do plano pastoral). Porque não prolongar o domingo pela segunda, para que pudesse discerni-lo como Caridade Pastoral?

Em terceiro lugar, os documentos mais recentes do Magistério exortam a que o núcleo vivo e aglutinador que alimenta a espiritualidade do padre seja o da Caridade Pastoral patente nas energias gastas quer na preparação, quer na celebração deste Dia (PDV, 21). Não aconteça que o padre chegue ao final deste dia e… só se lembre que foi um extenuante trabalho que deveria ser reduzido. Ele precisa, também, de tirar partido da importância deste grande Dia do Senhor.

Em quarto lugar, talvez possamos alargar a nossa reflexão para a vivência dos tempos fortes que o padre é chamado a preparar e organizar com os fiéis leigos. Frequentemente, pode acontecer que o padre viva muito ativamente, por exemplo, a Quaresma e quando chegar à Pascoa… esta comece com um triste cansaço! É hora de reassumir o que é mais importante no papel dos presbíteros, para que, ao descrédito que o mundo já lhes atribui, não se assome o cansaço que afasta em vez da entrega objetiva que cative para a possibilidade do acolhimento desta vocação específica por parte de outros homens.