Meter uma “cunha” para o Reino, um mau entendimento de “subida”… e outra variedade da “maçã”

Quando-a-cruz-parece-pesada[Leitura] Jer 18, 18-20; Mt 20, 17-28

[Meditação] Um dia, o meu professor de antropologia vocacional partilhou que quando declaramos a Deus que O amamos, esta “oração” está carregada do desejo de que Ele nos retribua com o Seu amor. Portanto, o nosso “amar a Deus” nunca é, antropologicamente, desprovido de uma segunda intenção. E escusamos de mentir… vale mais sermos sinceros, indo diretos para a humilde consideração de que sim… queremos e precisamos do Seu amor. O problema está em: até que ponto estamos dispostos a pagar por este amor infinito?

Jesus chamou à parte os Doze para lhes falar da subida em que os queria envolver e, no caminho, a mãe de Tiago e João foi meter uma cunha para os seus filhos. Qual foi a versão de “subida” que aqueles dois contaram à sua mãe, para que esta reagisse com um pedido tão forte? Adivinho: antes da tua partida, “ordena” que os meus filhos tenham um lugar de destaque. Jesus já tinha adivinhado, também, quando disse “na cadeira de Moisés sentaram-se…” (cf. Mt 23, 1-12). Aquela mãe estava a pedir uma “cadeira” para os seus filhos e não uma cruz, um estar acautelados com uma menção honrosa e não um caminhar de seguimento até às últimas consequências. Tenho dúvidas se os outros dez tinham em mente uma boa correspondência do cenário com as palavras do anúncio de Jesus, denunciados pela reação. Não se indignariam, se aquela mãe Lhe pedisse para eles diretamente o “cálice”.

Segundo a infopedia, “cunha” é um nome feminino que se traduz por objeto que se coloca sob ou ao lado de um outro maior, para o elevar ou imobilizar em determinada posição; calço”;  “variedade de maçã”; epedido especial realizado por alguém a favor de outra pessoa; recomendação; empenho” (sentido figurado). Esta relação de significados terá alguma coisa a vercom o contexto do capítulo 3 do Génesis? A “cunha” tenta elevar algo ou alguém, mas também, pelo vértice que tem, pode atirar para baixo.

A mãe daqueles dois Apóstolos não seria mal-intencionada. A Eva também foi enganada pela serpente. Aqueles dois é que não lhe descreveram corretamente o trajeto que Jesus lhes estava a desenhar. Ele chamou-os à parte e eles só levaram a sério uma parte. Deverão ter omitido a última (com a qual aquela mãe teria tido outra atitude). Ainda não tinham o coração centrado no projeto do Mestre ou talvez ainda não tivessem “descido” do monte da transfiguração. Claro está que uma má interpretação do caminho e do Reino que está ao cabo do terceiro dia pode ser sinónimo de uma postura anti-paixão, causada por uma espécie de entendimento “bipolar” do Reino. Escolher o caminho mais fácil é sempre um risco. Seja como for, irá dar sempre à cruz. Encurtar esta é perder a hipótese de “beber” do mesmo cálice de Jesus, no Seu Reino glorioso!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo