Tra il dire e il fare c’è di mezzo il mare

[Leitura] Is 1, 10. 16-20; Sal 49 (50); Mt 23, 1-12; Entrevista a Frei Ventura; ANSELM GRÜN, As oito bem-aventuranças, caminho para uma vida bem conseguida (Editorial A. O.)

[Meditação] O “caminho reto” que nos é proposto para fazermos páscoa não depende, somente, de deixar de praticar o mal; implica, sobremaneira, a prática da justiça ou do bem. Senão, seria tudo “palavras,” desde as que formulam os pecados diante do confessor às que declaram boas intenções de melhorar a conduta. Caminho direito é, também, o que leva ao oprimido, ao pobre, ao imoral, ao injusto…, enfim, ao pecador, sem desvios. Estes desvios podem conter intenções de santidade, como os dois insensíveis retratados por Jesus na parábola do bom samaritano (cf. Lc 10, 29). Por vezes,procura-se um perfecionismo moral que acaba por descuidar a ética personalista contida na gramática da fé cristã.

Por outro lado, uma exaltação da caridade com “foguetes” à mistura pode, porventura, esconder pecados não confessados. Assim, lá se vai a justiça com o “foguete”, ou melhor,com a fuga à responsabilidade para com os irmãos mais fragilizados. Há quem possa pensar na Igreja como um lugar a preservar, onde se apanha o barco da salvação e… é esperar que chegue o “porto seguro”. Qual seguro?! Não há “companhia de seguros”! A declaração das nossas prestações ascéticas podem esconder algum défice (na busca de afeto, poder, segurança, sucesso, etc.) do qual não fizemos a devida “elaboração de luto”. A Psicologia di-lo de outra forma: poderá haver processos narcisistas de compensação por detrás das mais santas e, até, idóneas intenções e práticas de conversão individual. O mar, muito extenso, que existe entre o “dizer” e o “fazer” é, para muitos psicólogos, metáfora de muitas forças profuntas contraditórias que é necessário conhecer para aprender a gerir em favor não só da felicidade pessoal, mas também de uma conversão mais profunda e concreta.

Um só é o vosso Mestre… Pai… e Doutor. Esta informação que Jesus nos dá é determinante na hora de elaborarmos o tal “luto” (não só de pessoas que partem, mas também de ideais, tradições, relacionamentos e sucessos perdidos): inclui a certeza, pela fé, de que nos podemos confiar totalmente, sem reservas, à providência de Deus, permitindo não esquivar a uma confrontação com a separação e com a despedida de fantasias de grandeza e das fixações de funções ligadas ao pensamento de domínio.Estar abertos ao domínio de Deus, renunciando a ter as rédeas de tudo e a tudo controlar em si, permite a Deus reinar em nós e de nos possibilitar o acesso à dignidade fundamental e inviolável de cada pessoa.

Não admira que, ainda hoje, existam, nalgumas instituições religiosas, indivíduos que se queiram continuar a sentar como os escribas e fariseus na “cadeira de Moisés” ou, com mais graves consequências, utilizar os títulos de Deus para finalidades não contidas na ética que Jesus veio fundar. Intriga-me que o Frei Ventura tenha tido a necessidade de afirmar que “há algumas pessoas dentro da igreja que parece que estão à espera que o Papa morra para que a Igreja volte a ser católica e há algumas azias mal digeridas que se mantém no limbo, que é essa zona cinzenta”. Entre o dizer e o fazer há, no meio (e, por vezes, que grande meio) o mar, escuro e estagnado que obriga a “barca” da Igreja a estacionar não sei em que porto. Virá a ser precisa a “boleia” da “baleia” de Jonas?!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo