A extraordinária recompensa de ser filhos de Deus

[Leitura] Deut 26, 16-19; Mt 5, 43-48; Entrevista a Helena Lobato

[Meditação] Têm-se escutado muitos párocos a dizer que tem decrescido o número de famílias que pedem o Batismo para os seus filhos, mesmo dentro dos grandes centros urbanos, onde a estatística de praticância religiosa tem vindo a diminuir (com relativa correspondência entre estes dois fatores, assim como, porventura, da celebração de matrimónios). Será que o ser filho de Deus já não atrai muita gente? Os pais não verão como uma “mais valia” para os seus filhos a instrução e vivência dos valores próprios do Cristianismo?

Na verdade, embora todos sejamos declarados como criaturas de um Ser superior, no entanto, nem todos se consideram filhos de Deus, no sentido de que “ser filho” implica a aceitação dessa filiação através, não só de uma declaração livre, mas da vivência de todos os valores que o afetam. Por estes dias, apareceu-nos o testemunho da pintora Helena Lobato que escreveu ao ao Papa Francisco a partilhar as suas dúvidas e a pedir-lhe, na usa oração, luz que iluminasse a situação em que se encontrava. Pede uma luz que faça com que ela seja capaz de resolver os seus problemas. O Papa responde-lhe que a Luz verdadeira é Jesus Cristo, convidando-a a ser batizada pela mão do Santo Padre, na próxima vigília pascal. A atitude de hu(a)mor do Papa leva-a a perceber-se transcendida ou “puxada” para Deus.

Tornarmo-nos filhos de Deus, uma vez que esta nova condição não acontece por geralão espontânea, é, pois, um desafio bilateral e interativo que já está incrito na “genética” do ser ciraturas como que em “embrião”. No entanto, “aceitarmo-nos” como filho de Deus também depende muito do nosso comportamento. Este define a direção do caminho para a eprfeição que nos assemelhe a Deus Pai. Jesus indicou-nos esse caminho com o seu exemplo. Mostrou-nos o Amor como sendo a “terra” de uma liberdade a ser expressa numa tolerância radical. Ser filhos de Deus tem um ponto de partida, um dinamismo e um ponto de chegada, como, aliás, acontece na experiência de filiação humana. A relação de filiação a Deus Pai é chamada a superar-se através dos cumes da sua graça. A recompensa está aqui: quem ousar levar a sério o que o único Pai sugere, conseguirá ser como Ele. Enquanto tal, a nossa experiência de perfeição será “imperfeita”, até O abraçarmos definitivamente.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo